Líder da extrema-direita francesa deixa presidência de partido após 40 anos

O ex-presidente do partido Frente Nacional, Jean-Marie Le Pen
O ex-presidente do partido Frente Nacional, Jean-Marie Le Pen Reuters

Os principais jornais da França desta sexta-feira trazem uma retrospectiva dos 40 anos de liderança do político mais conhecido da extrema-direita do país, Jean-Marie Le Pen, de 82 anos. Neste fim de semana, na cidade de Tours, ele deixa a presidência da Frente Nacional, partido que criou em 1972, e espera passar a sucessão a sua filha Marine Le Pen. Ela tem vantagem na disputa do cargo com seu único rival, Bruno Gollnisch, apoiado por correntes ainda mais radicais, como os católicos fundamentalistas.

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O editorial do jornal econômico Les Echos afirma que a passagem do bastão será apenas uma transição e não uma revolução. "A estrutura de apoio a Marine deve ser a mesma que a de seu pai", diz o editorialista.

Em entrevista ao Libération, o autor do livro "A nova extrema-direita", o sociólogo Sylvain Crépon, avisa que Marine tem a capacidade de seduzir os eleitores insatisfeitos do UMP, partido do presidente Nicolas Sarkozy.

"Marine Le Pen se apresenta como uma advogada, mãe de família, duas vezes divorcida, mais liberal sobre questões como o aborto e a homossexualidade, e pode convencer os eleitores sensíveis às questões de segurança e imigração que antes achavam a Frente Nacional excessivamente conservadora", explica o sociólogo.

A intenção é disputar as eleições presidenciais francesas de 2012 com uma nova cara. Jean-Marie Le Pen foi candidato cinco vezes, mas nunca venceu. O melhor resultado foi alcançado em 2002, quando ele surpreendeu ao ir para o segundo turno com Jacques Chirac, eliminando o candidato socialista Lionel Jospin.

A popularidade da filha do líder de extrema-direita já preocupa novamente a esquerda. Segundo pesquisas de intenção de voto, Marine Le Pen teria 14% no primeiro turno do pleito presidencial de 2012.

Le Figaro conta que Jean-Marie Le Pen tem um projeto de escrever suas memórias, mas, por enquanto ,ainda não teve tempo para isso. O jornal diz que ele fica furioso quando o chamam de "quase aposentado".
 

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