Alta nos preços das matérias-primas agrícolas encarece alimentos

Efeito dos preços nos alimentos
Efeito dos preços nos alimentos Reuters

O caderno de economia do jornal Le Figaro chama a atenção para o risco de explosão dos preços dos alimentos básicos, em decorrência da alta desenfreada dos preços das matérias-primas agrícolas. O mesmo fenômeno provocou revoltas populares nos países em desenvolvimento, no auge da crise financeira em 2008. O Brasil é criticado por sua política de biocombustíveis.  

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Os preços do trigo, óleo de soja, açúcar e arroz começaram o ano de 2011 nas alturas nos mercados de commodities. No caso do trigo, por exemplo, de junho para cá o preço da tonelada duplicou, atingindo 250 euros, valor próximo do recorde histórico de 300 euros, registrado em 2008.

Segundo o economista Philippe Chalmin, ouvido pelo jornal, os preços das matérias-primas agrícolas não estão em alta por causa da especulação, como já aconteceu no passado, mas por grandes desequilíbrios entre a demanda e a oferta dos produtos. O economista nota que a oferta é cada vez mais volátil, enquanto a demanda cresce regularmente de 2 a 3% ao ano.

Esse desequilíbrio é provocado por três fatores. Em primeiro lugar, os incidentes climáticos. Entre os oito maiores países exportadores de trigo, cinco tiveram no ano passado secas ou inundações excepcionais. Foi o caso da Rússia e da Austrália. Durante um período, Estados Unidos, França e Argentina se tornaram os únicos fornecedores mundiais. Com o arroz, o açúcar e o óleo de soja, as chuvas no Brasil e na Índia, primeiro e segundo produtores mundiais, provocaram escassez dos produtos, pressionando os preços.

A segunda razão que explica a queda na oferta dos alimentos de primeira necessidade, de acordo com o jornal Le Figaro, são às políticas de incentivo à produção dos biocombustíveis. Mais uma vez Brasil e Estados Unidos são os vilões nesse caso. E o terceiro e último fator é a diminuição das áreas produtivas, impulsionada por uma urbanização galopante em consequência da globalização.
 

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