As propostas ambiciosas do presidente Sarkozy para o G20 analisadas pela imprensa francesa

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, durante apresentação dos objetivos da França à frente do G20 e do G8.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, durante apresentação dos objetivos da França à frente do G20 e do G8. Reuters

A foto do presidente francês Nicolas Sarkozy está estampada na primeira página da imprensa francesa desta terça-feira. Todos os jornais nacionais analisam a estratégia anunciada por Sarkozy para a presidência francesa do G8 e do G20 na coletiva concedida na segunda-feira para apresentar seu programa de trabalho e prioridades aos parceiros do grupo de países mais ricos do mundo.

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Para o Les Echos Sarkozy fixou objetivos ambiciosos para o G20. A França quer reforçar as garantias sociais diante da globalização e pretende mobillizar vários chefes de Estado para lutar contra a volatilidade dos preços de produtos agrícolas de primeira necessidade, escreve o jornal econômico. Nicolas Sarkozy continua favorável a um taxa sobre as transações financeiras internacionais para ajudar o desenvolvimento de países pobres, mas teve que limitar suas ambições sobre a reforma monetária global, informa o Les Echos. O motivo, explica o jornal, é o aparecimento de novas moedas de grandes potências emergentes, que deve criar um sistema baseado em várias divisas, diminuindo a supremacia do dólar.

O Le Figaro acha que o presidente francês tenta principalmente mobilizar o G20 contra especuladores anônimos que provocam a alta do preço de matérias-primas e ameaçam provocar protestos contra a fome em países pobres, como aconteceu em 2008.

Le Parisien ressalta que o próprio Nicolas Sarkozy admitiu ser impossivel saber se a presidência francesa do G8 e G20 vai obter resultados concretos, principalmente em relação a taxa sobre transações financeiras internacionais, uma proposta que existe desde os anos 1970 mas que nunca saiu do papel.

La Croix diz que os objetivos ambiciosos da França para as cúpulas internacionais do G8 e G20 em 2011 acontece no momento em que a potência francesa está em declínio. L'Humanité não esconde suas críticas e afirma que apesar da pose, essa proposta é uma impostura. O jornal comunista lembra que o presidente Sarkozy não abordou a situação interna francesa e tenta regular o capitalismo mundial com medidas neoliberais.

Os jornais também destacam a polêmica sobre a posição francesa em relação a crise na Tunisia, que foi considerada conivente pela oposição, um tema que também dominou a coletiva de impresa de Sarkozy. Libération resume dizendo que o presidente fez seu "mea culpa" e lamentou a falta de apoio francês aos manifestantes tunisianos.
 

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