Jornais franceses destacam onda de revolta popular nos países árabes

Os protestos contra o regime de Hosni Mubarak são palcos de violentos confrontos entre polícia e manifestantes.
Os protestos contra o regime de Hosni Mubarak são palcos de violentos confrontos entre polícia e manifestantes. REUTERS/Goran Tomasevic

A revolta popular que se espalha pelas ruas de vários países do norte da África e Oriente Médio ganhou a manchete principal do diário francês Le Figaro desta sexta-feira. A onda de choque da revolução tunisiana é título estampado na capa, ilustrada com uma foto da manifestação que tomou conta na quinta-feira das ruas de Sanaa, a capital do Iêmen, para pedir a demissão do presidente Ali Abdullah Salleh que está no poder há 32 anos.

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Em suas páginas centrais, o Le Figaro informa as mudanças em curso nos países onde os governos estão sendo sacudidos pela insatisfação do povo. Na Tunísia, o governo de transição se dobrou às exigências dos manifestantes e ontem à noite afastou os integrantes do governo que pertenciam ao antigo regime do ex-presidente Ben Ali.

No Egito, o Prêmio Nobel da Paz Mohamed El Baradei voltou ao país para participar das manifestações que pedem a saída de Hosni Mubarak, que governa há 30 anos os egípcios. Um especialista ouvido pelo jornal explica que no caso do Egito, os cidadãos expressam um descontentamento antigo apesar de ter sido despertado pela recente Revolução de Jasmin na Tunísia.

Já o católico La Croix dedica sua manhete à crise política na Costa do Marfim. A longa espera dos marfinenses, é o título escolhido para refletir o impasse no país, já que dois meses após as eleições presidenciais, Laurent Gbagbo não quer deixar o poder para o vencedor das urnas Alassane Ouattara assumir.

O Libération destaca em sua reportagem principal a delicada questão do parto anônimo na França. Um relatório será entregue hoje ao primeiro-ministro François Fillon sugerindo o fim do anonimato para as mães que decidirem ter um filho mas não criá-lo. Na França, há mais de 200 anos, uma mulher pode dar a luz em segredo e cortar os laços com o bebê sem deixar pistas. O novo texto defende que o parto possa continuar sendo segredo mas defende o fim do anonimato para que um dia, se quiserem, mãe e filho possam se reencontrar. O número de casos não chega a uma centena por ano, lembra o Libé que defende esse direito, principalmente para os filhos de, ao menos, ter pistas para conhecer sua origem biológica.

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