Jornais atribuem queda de Laurent Gbagbo à intervenção "decisiva" da França

RFI
3 min

A queda de Laurent Gabgbo e o papel da França na captura do ex-presidente da Costa do Marfim que se negava a deixar o cargo estampam as manchetes da imprensa francesa desta terça-feira. Gagbo destituído, uma vitória para a França e a Onu titula a manchete do conservador Le Figaro. Ao relatar toda a operação de ataque à residência de Gbagbo pelas forças pró-Outtara com a ajuda militar da França e da ONU, o enviado especial à Abidjan escreve que a queda e a captura de Gabgo resumiram toda a crise marfinense: brutal e inesperada.

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Em editorial elogioso ao papel decisivo da França na crise, o Le Figaro afirma que a queda de Gbagbo tem uma mensagem universal e elementar: os que perdem as eleições devem deixar o poder.
O Libération resumiu no seu título: a França retirou Gbagbo. Com a foto do ex-presidente no momento de sua captura junto da mulher, Simone, o jornal destaca o papel decisivo das forças francesas para tirá-lo de seu bunker e do cargo. O editorial do Libé lembra que Alassane Outtara saiu vitorioso mas não como responsável pela saída de Gbagbo do poder, que só foi possível com a ação contestada das forças francesas de apoio à ONU.

A maneira como Outtara lidar com seu inimigo derrotado e humilhado vai demonstrar sua vontade de reunificar um país dividido, segundo o Libération. Segundo o jornal mesmo com o mandato da ONU, a intervenção militar da França é cheia de ambiguidades e o governo Sarkozy poderá ser acusado de resgatar antigas práticas colonialistas. O custo diplomático e político pode ser enorme, afirma um cientista política ouvido pelo Libé.
O La Croix dedica sua manchete ao que chamou de pós-Gbagbo.
Com um foto de marfineses comemorando a queda do ex-presidente nas ruas, o jornal católico afirma que a reconciliação do país será uma tarefa difícil.

O comunista L'Humanité escreve ainda que a intervenção da França na Costa do Marfim foi motivada principalmente pela vontade de manter sua influência na parte Ocidental da África. Segundo o jornal, com investimentos econômicos em países do leste e intervenções militares no oeste e também na Líbia, a França pretende ser indispensável ao continente africano diversificando suas ações.

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