EUA/Escândalo

Caso Strauss-Kahn: imprensa francesa prevê longo processo

A prisão de Strauss-Kahn, no dia 14 de maio, foi manchete em todos os jornais.
A prisão de Strauss-Kahn, no dia 14 de maio, foi manchete em todos os jornais. RFI

A audiência desta segunda-feira do francês Dominique Strauss-Kahn no tribunal de Nova York é destaque em todos os jornais desta segunda-feira, 6 de junho. A imprensa chama a atenção paraas diferenças concentuais entre a justiça americana e a francesa, uma situação que pode complicar a vida do ex-diretor do FMI.

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O diário conservador Le Figaro diz que Strauss-Kahn deverá se declarar inocente das acusações de sequestro e tentativa de estupro, entre outros crimes atribuídos a ele pela guineana Nafissatou Diallo, camareira do hotel Sofitel de Nova York. Fazendo uma análise do caso que deu origem a outras denúncias envolvendo políticos franceses, Le Figaro tenta mostrar que França e Estados Unidos têm uma atitude completamente oposta em relação à vida pública.

Nos Estados Unidos existe um culto à transparência, nota o jornal. Desde os anos 80, segundo o diário conservador, foi abolida a distinção entre vida pública e vida privada de políticos, artistas, esportistas e outras personalidades públicas. Aqui na França, uma lei garante a proteção à vida privada. Le Figaro usa uma metáfora dita por um jurista americano para explicar o que vai acontecer daqui para frente com DSK, como o ex-diretor do FMI é chamado na França. "Até agora, foi como num jogo de futebol. As equipes de acusação e da defesa estavam nos vestiários. Agora elas vão entrar em campo."

O diário católico La Croix diz que a audiência e o provável processo de Strauss-Kahn serão um duelo entre duas concepções de justiça. Em seu editorial de primeira página, La Croix declara que independentemente do resultado da audiência esse é um caso sórdido, em que as relações sexuais mesmo se consentidas, como pretendem os advogados de Strauss-Kahn, são doentias.

Se condenado às sete acusações como quer a promotoria, o ex-diretor do FMI pode pegar 74 anos de prisão, lembra o diário comunista L'Humanité, assinalando que no direito francês as penas não são cumulativas como no direito americano.

Para o jornal de esquerda Libération, Strauss-Kahn está diante de um longo e penoso processo. Como os franceses vão acompanhar cada episódio da novela nova yorkina, o jornal acha que o julgamento vai fagocitar a campanha presidencial de 2012, tornando ainda mais difícil uma vitória dos socialistas contra Sarkozy.

Uma especialista em direito diz ao Libération que o processo de Strauss-Kahn vai se focalizar na credibilidade da vítima, que esteve totalmente escondida até agora. Fazendo um paralelo com a expressão assassino em série, Libération afirma que o advogado de Struss-Kahn, Benjamin Brafman, é um "justiceiro em série".

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