Brasil/Battisti

Brasil tomou decisão soberana ao não extraditar Battisti, afirma filósofo

Rodrigo Guéron, filósofo e professor da UERJ.
Rodrigo Guéron, filósofo e professor da UERJ. R.Guéron

O filósofo e professor do Instituto de Artes da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Rodrigo Guéron, foi um dos signatários da carta aberta de intelectuais brasileiros em apoio à decisão do ex-presidente Lula de não extraditar Cesare Battisti para a Itália. Em entrevista à RFI, ele afirma que o Brasil considera o ex-militante como um perseguido político e portanto devia, enquanto República democrática, conceder o asilo e optar pela não extradição.

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Rodrigo Guéron lembrou que nos anos 70, época em que atuavam os grupos armados de extrema-esquerda e que a Justiça italiana acusa Battisti de ter cometido quatro assassinatos, a situação política era muito complicada na Itália. “Não se pode dizer que havia um estado de direito no país", afirma Guéron, ressaltando que havia muita violência inclusive com ações organizadas por grupos paraestatais, protegidos pelo próprio Estado.

Segundo o professor, nunca houve de fato uma investigação sobre a estratégia do governo italiano nessa época, que serviu para oprimir o movimento social na Itália. Ele informa que a até a Anistia Internacional considerou que o país vivia um momento de exceção. “Era uma situação de batalha política”, diz Guéron. Para ele, é revelador que seja exatamente um governo conservador, como o de Silvio Berlusconi, que tem aliados fascistas, que tenha feito da extradição de Battisti uma bandeira.

Diante desses dados, o Brasil considerou Cesare Battisti como um prisioneiro político e não como um criminoso comum e adotou um procedimento de rotina nas democracias que é o de conceder asilo político aos perseguidos politicamente, analisa o filósofo brasileiro. Ouça a entrevista.

Rodrigo Guéron, filósofo e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, entrevista concedida a Lucia Müzell .

 

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