Demissão de Palocci fragiliza presidente Dilma, diz imprensa francesa

A presidenta Dilma Rousseff cumprimenta o ex-ministro Antônio Palocci, durante cerimônia de posse da nova ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Gleisi Hoffmann
A presidenta Dilma Rousseff cumprimenta o ex-ministro Antônio Palocci, durante cerimônia de posse da nova ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Gleisi Hoffmann Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

A queda do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci é um revés inesperado para a presidente Dilma Roussef que ficou fragilizada pela demissão de seu braço direito, analisam os principais jornais da imprensa francesa desta quinta-feira. Para o jornal Le Figaro, seis meses após assumir o cargo, a presidente brasileira enfrenta sua primeira crise política com a saída do chefe da Casa Civil, cujo poder é comparado com o de um primeiro-ministro na França.

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Em reportagem, o jornal lembra que a demissão é resultado de um escândalo após a revelação do jornal Folha de São Paulo de que o patrimônio de Palocci foi multiplicado por 20 nos últimos 4 anos, período em que exerceu o cargo de deputado federal e ao mesmo tempo era consultor de uma empresa privada.
Para ilustrar o enriquecimento suspeito, a reportagem do Le Figaro lembra que o ex-chefe da Casa Civil acaba de comprar um apartamento de 500 metros quadrados em um bairro chique de São Paulo por 6 milhões e 600 mil reais.
As justificativas apresentadas pelo ex-braço direito de Dilma foram consideradas evasivas, escreve o Le Figaro informando que dentro do Partido dos Trabalhadores houve muita consternação com o fato de um ministro acumular uma fortuna graças ao lobby.

Abandonado pelo próprio partido, a situação de Palocci ficou insustentável, acrescenta o Libération. O jornal lembra que é a segunda vez que Palocci se demite do governo. O ex-trotskista, como é chamado pelo Libé, se tornou uma iminência parda do ex-presidente Lula na época em que era o todo poderoso ministro da Fazenda do governo. Em 2006, foi obrigado a renunciar após a acusação de ter autorizado um banco público a quebrar o sigilo bancário de uma testemunha no escândalo de financiamento oculto do PT.
Absolvido pela Justiça, ele pôde voltar à cena política, afirma o Libé. Para o jornal a nova crise questiona a autoridade da presidente Dilma que deve mostrar que é ela quem está no comando do país e não seu antecessor e mentor. Para o jornal, Dilma demorou a agir justamente devido a influência do ex-presidente Lula.

O Le Figaro comenta que Dilma escolheu Gleisi Hoffmann, membro do PT e conhecida por sua competência técnica, para evitar novas crises. Mas a nominação aponta que haverá novas mudanças no governo, escreve o jornal já que a articulação política com a base no Congresso sairá das mãos da Casa Civil. Dilma mostra mais uma vez sua dificuldade de se livrar da sombra de Lula ao ter que lidar com seus aliados políticos e todas as negociações e concessões que isso supõe, conclui o Le Figaro.
 

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