Itália/referendo

Berlusconi reconhece derrota em referendo

O premiê italiano, Silvio Berlusconi, em Roma, nesta segunda-feira.
O premiê italiano, Silvio Berlusconi, em Roma, nesta segunda-feira. Reuters

Depois de humilhado nas recentes eleições municipais, Silvio Berlusconi enfrenta uma nova derrota. Em referendo, os italianos dizem “não” a questões referentes à imunidade penal do premiê, à retomada da energia nuclear no país e à privatização da água. O pleito teve participação de mais de 50% dos eleitores. Há 16 anos um referendo desse tipo na Itália não obtinha quórum. 

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Berlusconi admitiu "a derrota em todos os temas abordados". A participação foi grande, cerca de 57% dos eleitores compareceram às urnas no domingo e na segunda-feira, tomando base em resultados oficiais, mas parciais, de metade dos municípios italianos. Há 16 anos, um referendo não obtinha quorum necessário (50% dos votos mais um) para ser considerado válido. Segundo uma pesquisa de boca de urna, 90% dos italianos disseram “não” a cada uma das propostas.

Mesmo antes do fechamento das urnas, Berlusconi reconheceu que “o povo italiano provavelmente diria adeus às centrais nucleares”. A Itália fechou suas usinas atômicas após a catástrofe de Chernobyl, Ucrânia, em 1987. Mas o governo de direita pretendia retomar o nuclear, com projetos de construção de quatro centrais nos próximos anos. Os planos foram adiados por causa do acidente em Fukushima 1, no Japão.

Os italianos também rejeitaram uma lei que preconizava um “impedimento legítimo”, que permitia a Berlusconi não comparecer diante da justiça por causa de suas obrigações como primeiro-ministro. O primeiro-ministro italiano responde atualmente a três processos, incluindo o escândalo sexual Rubygate.

A privatização da gestão e distribuição da água também recebeu um “não” do eleitorado. Cerca de 47,2 milhões de italianos na península e mais 3,2 milhões residentes no exterior estavam aptos a votar.

Há duas semanas, a coalização de centro-direita no poder foi duramente sancionada nas urnas, perdendo inclusive a prefeitura de Milão, feudo eleitoral de Berlusconi.
 

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