Premiê turco Erdogan venceu mas não triunfou nas urnas, diz imprensa francesa

O Primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, obtém vitória na Turquia.
O Primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, obtém vitória na Turquia. REUTERS/Emrah Dalkaya

A vitória menos expressiva do que o esperado do partido AKP nas urnas vai obrigar o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan a negociar com a oposição se quiser reformar a Constituição do país, afirma o jornal Le Figaro que dedica sua manchete principal ao resultado das eleições legislativas realizadas neste domingo na Turquia.

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O jornal conservador informa que o primeiro-ministro Erdogan do Partido para Justiça e Desenvolvimento venceu pela terceira vez consecutiva as legislativas com cerca de 50% dos votos. O resultado foi superior aos 46,6% das eleições passadas, em 2007, mas insuficiente para seu pattido AKP, ter a maioria das cadeiras do parlamento e modificar sozinho a Constituição.

Confiantes na vitória, os conservadores islâmicos do Partido da Justiça e Desenvolvimento fizeram uma campanha simples em torno do slogan " que a estabilidade continue, que a Turquia cresça", observa a enviada especial do Le Figaro à Istambul.

Vários especialistas ouvidos pelo jornal disseram que o grande desafio de Erdogan, vem justamente agora após a eleição e os próximos meses serão um teste para ver a maturidade da Turquia, já que existe uma unanimidade em torno da necessidade de reformar a Constituição do país, herança dos militares após o golpe de 1980.
 

Modernizador

O Le Figaro dedicou ainda uma página para traçar um perfil de Recep Tayyp Erdogan, chamado pelo jornal de "modernizador da Turquia". Ele se apresenta como um democrata muçulmano que colocou a economia nos trilhos e levou o país a ser a 17ª economia mundial, mas sua tendência autocrática preocupa, escreve o Le Figaro citando sua ambição de instaurar um regime presidencialista para que ele se mantenha no poder e tenha as rédeas do país como Wladimir Putin fez na Rússia.

Na mesma linha, o Libération alfineta chamando em título Recep Erdogan de novo sultão turco, em referência a seu caráter que durante o exercício do poder se mostrou autoritário. Com ele a Turquia se tornou em uma potência econômica e um ator no cenário global, com uma diplomacia influente e estratégica, afirma o Libé.

O modelo turco, que se baseia em uma nação de maioria muçulmana mas laica em sua base, tornou-se um modelo para países que buscam uma transição para democracia como a Tunísia e Egito, escreve o Libé, que em editorial, defende a entrada do país na União Europeia.
 

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