Crise na Grécia domina as manchetes e revela juventude em apuros na Europa

Nova greve geral na Grécia contra planos de austeridade‎
Nova greve geral na Grécia contra planos de austeridade‎ Reuters

A crise econômica e social na Grécia é comentada em todos os jornais franceses desta quarta-feira, 15 de junho. O jornal Le Parisien aproveita a terceira greve geral na Grécia desde o início do ano para checar como os jovens europeus encaram o futuro.

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Como já fez em outros momentos de crise, Le Parisien entrevista jovens de 20 anos na Grécia, Irlanda, França, Espanha, Itália e Alemanha. A constatação é de que em todos os países a juventude está em ebulição e sonha com dias melhores. Na Espanha e na Grécia, muitos pensam em mudar de país porque a recuperação promete ser lenta e dolorosa. Já na Alemanha, a retomada do crescimento deu novo fôlego. Na Irlanda, a crise fez os jovens redescobrirem a política, enquanto na França a juventude se sente desprezada pelo Estado. Mas como dizem os jovens italianos nas páginas de Le Parisien, a revolução é possível.

O diário econômico Les Echos afirma que os europeus estão próximos de chegar a um consenso sobre a melhor solução para ajudar a Grécia, como assinalou o comissário europeu Olli Rehn. Todos descartam uma reestruturação maciça da dívida grega, que implicaria moratória, prejuízos para os cofres públicos e colocaria em risco a saúde financeira de grandes bancos, como os franceses Société Générale, Crédit Agricole e BNP Paribas, já ameaçados de rebaixamento pelas agências de notação financeira por seu elevado nível de exposição na Grécia. Ao mesmo tempo, todos sabem que o país está falido, precisa de dinheiro novo, então o jeito é aumentar a participação do setor privado na operação de salvamento. Resta saber quem vai se dispor a entrar voluntariamente nessa canoa furada.

O diário L'Humanité acha que o empréstimo de 110 bilhões de euros concedido pelo FMI e a União Europeia à Grécia foi uma falsa boa ideia e que não adianta nada o governo grego sufocar ainda mais a população com um novo plano de austeridade, se meses depois o país será obrigado a pedir novos empréstimos, como está acontecendo agora, o que é "uma espiral inexorável em direção à falência". O jornal comunista nota que o movimento grevista iniciado pelos sindicatos e o dos indignados, que desde 25 de maio ocupam praças nas principais cidades gregas, estão convergindo. Todos rejeitam o novo plano de rigor que será debatido a partir de hoje no parlamento grego.
 

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