FAO/ONU

Brasil e Espanha partem favoritos na eleição do novo diretor da FAO

O ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan (à esquerda) e o atual diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, durante a 37ª conferência da organização aberta hoje em Roma.
O ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan (à esquerda) e o atual diretor-geral da FAO, Jacques Diouf, durante a 37ª conferência da organização aberta hoje em Roma. FAO/Giulio Napolitano

Os seis candidatos a diretor-geral da agência da ONU para a Agricultura e Alimentação (FAO) discursam neste sábado, em Roma, na 37ª conferência da organização. Eles apresentam seus programas às delegações presentes, antes da votação de domingo. O brasileiro José Graziano da Silva, ex-ministro do governo Lula, e o ex-chanceler espanhol Míguel Ángel Moratinos são favoritos à sucessão do senegalês Jacques Diouf.

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A eleição ocorrerá neste domingo a partir das 10h30, 5h30 no horário de Brasília, com votação secreta dos 191 países membros da organização. O vencedor deve obter metade mais um dos votos e a posse está marcada para 1º de janeiro de 2012. O Brasil pode contar com o apoio de 40 países, entre eles todos da região América Latina e Caribe, à exceção do México, assim como dos países da comunidade de língua portuguesa.

Na abertura dos discursos, neste sábado, em Roma, o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan criticou a falta de cooperação internacional para resolver o problema da fome no mundo e acusou os países ricos de comprarem terras agrícolas nos países pobres, a fim de garantir a alimentação de suas populações, em detrimento das populações locais e da agricultura familiar. Prêmio Nobel da Paz em 2001, Annan preside atualmente a Aliança por uma Revolução Verde na África (Agra), entidade financiada por doações de fundações filantrópicas americanas e britânicas.

Obter a eleição de Graziano em uma das agências da ONU de forte projeção pode representar a primeira vitória diplomática do governo Dilma. Para isso, a presidente contou com o apoio de Lula, que faz campanha pela eleição de seu ex-ministro, reconhecido internacionalmente por sua experiência na área de segurança alimentar. Para reforçar o final da campanha eleitoral de Graziano, o governo brasileiro enviou três ministros à capital italiana, sede da FAO: o chanceler Antonio Patriota, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, e o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wagner Rossi.

Em entrevista à RFI, Rossi diz estar otimista com a eleição de Graziano. O ministo lembrou que de todos os postulantes ao cargo ele é o com maior experiência na área. "Graziano é o criador do Fome Zero, um dos programas de combate à fome mais bem-sucedidos no mundo", destacou o ministro.

Nos bastidores, diplomatas de vários países reconhecem que Graziano tem boas chances. Em primeiro lugar porque a FAO é tradicionalmente dirigida por um representante dos países em desenvolvimento. O senegalês Diouf ficou no cargo durante 17 anos. Em segundo lugar, a Europa já garantiu a eleição da francesa Christine Lagarde na direção do Fundo Monetário Internacional (FMI), o que coloca em desvantagem o candidato espanhol. Também concorrem ao cargo de diretor-geral da FAO, mas com menores chances de vencer a votação, o austríaco Franz Fischler, ex-comissário europeu para a Agricultura, o indonésio Indroyono Soesilo, o iraniano Saeid Noori Naeini e o iraquiano Abdul Latif Rashid.

O novo diretor-geral da FAO tem um desafio enorme pela frente. O mundo tem hoje 925 milhões de pessoas famintas. A cada seis segundos uma criança morre no planeta devido a problemas relacionados com a desnutrição. A volatilidade dos preços dos produtos agrícolas, provocada por um aumento da demanda mundial, a queda na produção de alimentos e a especulação financeira em torno desses produtos fazem muitos especialistas temerem novas revoltas populares como as registradas em 2007 e 2008 nos países em desenvolvimento. 

Os meios financeiros da FAO para combater a fome no mundo são irrisórios. Com um orçamento de 1 bilhão de dólares por biênio, proveniente de contribuições obrigatórias dos Estados membros e de doações, a agência da ONU conta com apenas 1 dólar por dia, por pessoa, para reduzir a fome.

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