FAO/Eleição

Graziano diz ter vencido eleição na FAO com apoio de países árabes e asiáticos

O diretor eleito da FAO, José Graziano da Silva (à esquerda), recebe os cumprimentos de seu antecessor, o senegalês Jacques Diouf.
O diretor eleito da FAO, José Graziano da Silva (à esquerda), recebe os cumprimentos de seu antecessor, o senegalês Jacques Diouf. Reuters

José Graziano da Silva, ex-ministro de Segurança Alimentar e Combate à Fome do governo Lula, foi eleito neste domingo, em Roma, diretor-geral da agência da ONU para a Alimentação e Agricultura. Ele será o primeiro latino-americano a dirigir o organismo que combate a fome no mundo. Ao comentar o resultado, Graziano disse que o Brasil venceu a Espanha, principal rival, com "forte apoio de países árabes e asiáticos".

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A eleição foi disputada e o resultado apertado. José Graziano venceu com uma diferença de apenas quatro votos. O candidato brasileiro obteve 92 vozes a seu favor, contra 88 conquistados por seu rival, o ex-ministro das Relações Exteriores espanhol, Miguel Angel Moratinos. Os outros quatro candidatos que estavam na disputa, o iraquiano Abdul Latif Rasih, o austríaco Franz Fischler, o indonésio Indroyono Seoselio e o iraniano Mohammad Saeid Noori, se retiraram na primeira rodada da votação, na manhã de domingo.

Em uma rápida entrevista ao final da votação, no segundo dia da 37ª conferência da FAO, em Roma, Graziano disse que o Brasil derrotou os adversários com "um apoio muito forte de países árabes e asiáticos". "Esta eleição é muito importante para o Brasil por mostrar a força de um país emergente que tem muito a dizer em termos de agricultura, desenvolvimento rural e combate à fome", comentou o novo diretor-geral da FAO. Ex-ministro de Segurança Alimentar do governo Lula e até então subdiretor da FAO, Graziano vai suceder ao senegalês Jacques Diouf, que comandou a agência da ONU durante 17 anos.  

Graziano, de 61 anos, foi o idealizador do programa Fome Zero. Sua campanha para liderar a agência da ONU foi baseada nesta experiência e na sua contribuição atual para renovar e desburocratizar a FAO. Já eleito, Graziano estimou que as reformas realizadas na agência vão no bom caminho, principalmente nos países pobres. De acordo com ele, com base em políticas sociais bem-sucedidas, a FAO adotou nos últimos anos algumas ideias que durante muito tempo ninguém acreditava ser possível, como a erradicação da fome e uma cooperação estreita entre os países do sul.

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