Christine Lagarde

De desafeto, Christine Lagarde vira trunfo de Sarkozy

A ministra francesa das Finanças, Christine Lagarde, foi escolhida para ser a nova diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI).
A ministra francesa das Finanças, Christine Lagarde, foi escolhida para ser a nova diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI). REUTERS/Charles Platiau

A imprensa francesa dá destaque nesta quarta-feira para a nomeação da ministra da Economia Christine Lagarde para o posto de diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional. Os jornais trazem perfis variados da advogada que se tornou uma personalidade política de envergadura mundial.

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Parisiense da gema, filha de professores universitários, aluna aplicada, nadadora exímia, católica praticante, Christine Lagarde formou-se em Direito. Ela chegou ao governo através do então premiê Dominique de Villepin, rival de Sarkozy, em junho de 2005, para ser ministra delegada do Comércio Exterior. Na época, ela dirigia um grande escritório norte-americano de advocacia, em Washington, com mais de 4600 colaboradores em 35 países.

Depois ela passa para o ministério da Agricultura e, na sequência, da Economia e Trabalho. Apesar de gafes em declarações, como a de aconselhar a população usar bicicleta durante uma crise de combustíveis, e das críticas sobre sua falta de formação acadêmica em Finanças, Christine, segundo o Libération, tem sem dúvidas, um “bom carma”, ou o talento de “estar no lugar certo, na hora certa”.

O presidente Sarkozy, que não aprecia a ministra, muda de postura diante da crise econômica que abala o mundo. O “Libé” explica que Sarkozy precisa do “inglês impecável e do conhecimento do sistema financeiro dos EUA” de Christine Lagarde. De desafeto, ela se transforma em “trunfo” do presidente.

Para o jornal de direita Le Figaro, a nomeação de Lagarde é uma vitória para Sarkozy, que “discretamente” teria colocado a ministra em primeiro plano desde o início da corrida pela chefia do FMI. O jornal econômico Les Echos lembra que em Washington, a desenvoltura da ex-ministra nos meios profissionais ou acadêmicos dos EUA vai contar pontos. Ela se transformou “em uma verdadeira personalidade política”, diz Les Echos.
 

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