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Escândalo na França relança debate sobre financiamento da vida política

Áudio 05:16
As revelações da investigação sobre o escândalo de Karachi inquietam os partidários do presidente francês Nicolas Sarkozy.
As revelações da investigação sobre o escândalo de Karachi inquietam os partidários do presidente francês Nicolas Sarkozy. REUTERS/Jacky Naegelen

O chamado caso Karachi voltou às manchetes dos jornais franceses nesta semana quando Renaud Donnedieu de Vabres, ex-ministro da Cultura, foi detido para prestar esclarecimentos à Justiça. Essa é a primeira vez que um ex-parlamentar e membro influente do partido UMP do presidente Nicolas Sarkozy é envolvido nesse escândalo.A Justiça francesa investiga as comissões pagas pelo ministério da Defesa a intermediários para fechar um contrato de venda de submarinos militares para o Paquistão em 1994. Suspeita-se que parte dessas comissões tenham sido desviadas para financiar de maneira ilegal a campanha eleitoral do ex-primeiro-ministro Édouard Balladur, candidato à presidência em 1995. Na época, Donnedieu de Vabres era conselheiro do Ministério da Defesa e Nicolas Sarkozy era ministro do Orçamento e porta-voz da campanha de Balladur. A Justiça descobriu que houve misteriosos depósitos em espécie, em um total equivalente a € 3 milhões, na conta da campanha.Segundo as investigações, o governo do primeiro-ministro Édouard Balladur teria oferecido um vultoso suborno a membros das forças armadas paquistanesas para garantir o contrato. A Justiça trabalha com a hipótese de que a suspensão do pagamento dessa propina estaria na origem de um atentado na cidade paquistanesa de Karachi que matou 15 pessoas, 11 delas franceses que trabalhavam na construção dos submarinos. Na época o governo francês culpou a Al Qaeda pelo atentado.Ouça neste programa uma entrevista com o cientista político francês Olivier Rouquan, professor do Instituto Superior de Administração Pública, sobre o impacto que esse escândalo pode ter na campanha eleitoral francesa. A apenas cinco meses das eleições presidenciais, ele acredita que o caso Karachi pode relançar o debate sobre o financiamento da vida política.