Naufrágio/Itália

Comandante do Costa Concordia ficará em prisão domiciliar

O comandante do Costa Concordia, Francesco Schettino, ladeado por policiais.
O comandante do Costa Concordia, Francesco Schettino, ladeado por policiais. Reuters

A justiça italiana decidiu na noite dessa terça-feira que o comandante do navio de cruzeiro Costa Concordia, que naufragou na costa da Ilha de Giglio, a 40 km da costa italiana, ficará em prisão domiciliar. O acidente causou a morte de 11 pessoas e 23 ainda estão desaparecidas. Ele deve deixar a prisão nessa quarta-feira.

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A decisão foi tomada pela juíza Valeria Montesarchio, do Tribunal de Grosseto. Ela decidiu que o comandante Francesco Schettino vai ficar em prisão domiciliar. Ele estava preso em Grosseto, no sul da Toscana, acusado de homicídio culposo (sem intenção), naufrágio e abandono de navio.

O procurador de Grosseto, Francesco Verusio, ordenou a prisão do comandante no sábado, temendo que ele fugisse ou dissimulasse provas. Segundo as mídias italianas, o "homem mais odiado da Itália" deve sair da cadeia nesta quarta-feira.

Nesta terça-feira, durante seu depoimento a um juiz encarregado das investigações preliminares, o comandante desmentiu ter abandonado o navio durante a retirada dos passageiros e afirma "ter salvado milhares de vidas" ao fazer uma manobra para direcionar o navio rumo à costa. Ele também afirmou ter caído no mar, o que o impediu de estar a bordo para prestar socorro e organizar o salvamento.

Os juízes decidiram mantê-lo em detenção, devido à existência de provas irrefutáveis contra ele.

Gravação comprometedora

A gravação de uma das conversas do comandante Schettino com Gregorio de Falco, da capitania dos portos de Livorno, no momento da tragédia, é altamente comprometedora. Com uma voz fraca e hesitante, primeiro  ele finge para o interlocutor que ainda está no navio quando, na verdade, ele já abandonou o Costa Concordia e depois se recusou a voltar. "Volte para o navio, merda!", gritou De Falco, desesperado.

Schettino também é acusado de ter demorado a ordenar a retirada dos passageiros. Revoltada, a tripulação começou a operação, sem esperar que o comandante ordenasse oficialmente o abandono do navio. O Costa já se inclinava quando os barcos salva-vidas começaram a ser preparados.

Até a própria companhia Costa Cruzeiros está acusando o comandante de ter desviado a trajetória do navio para fazer uma parada, com todas as luzes acesas, nos arredores da ilha.

Fontes policiais indicaram que Francesco Schettini será submetido a análises para verificarem se ele consumiu drogas na noite do naufrágio.

Número de mortos aumentou hoje

Os mergulhadores da guarda costeira italiana anunciaram que, nessa terça-feira, mais cinco corpos foram encontrados dentro do navio Costa Concórdia. A descoberta dos cadáveres eleva para onze o número de mortos no naufrágio. As vítimas  estavam na parte submersa da traseira do barco.

Segundo Cristiano Pellegrini, porta-voz da cidade de Giglio, os cinco corpos estavam na popa (parte traseira do barco), que continua submersa. Ele não informou se eram passageiros ou tripulantes. De acordo com o último balanço, 11 mortes foram confirmadas e 23 pessoas continuam desaparecidas.

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