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Imprensa francesa

Les Echos celebra decisão do STF sobre a lei da Ficha Limpa

Senadores comemoram a aprovação da Lei da Ficha Limpa no Congresso Nacional, em Brasília.
Senadores comemoram a aprovação da Lei da Ficha Limpa no Congresso Nacional, em Brasília. Flickr/Agência Senado
3 min

O diário especializado em economia Les Echos relata em sua edição de hoje a decisão do Supremo Tribunal Federal de tornar inelegíveis os políticos brasileiros condenados pela justiça. O jornal afirma que mesmo durante o Carnaval, o Supremo está trabalhando. Sinal de que o Brasil não brinca mais com os políticos desonestos.

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É uma pequena revolução na "rocambolesca política brasileira", escreve o Les Echos. O jornal conta aos leitores franceses que até pouco tempo atrás mesmo os políticos notoriamente corruptos manobravam o arsenal jurídico para se agarrar a seus mandatos.

Tudo mudou, segundo o jornal, quando a Ordem dos Advogados do Brasil lançou a campanha Ficha Limpa. "A petição foi assinada por 2 milhões de eleitores brasileiros." Para se apresentar nas eleições, o político não pode mais ter antecedente judicial e em caso de condenação em última instância, ele se torna inelegível por 8 anos. O Les Echos estima que a campanha da OAB representa uma mobilização importante num país que sofre às vezes de apatia política.

O Congresso já tinha transformado a proposta em lei, mas faltava o Supremo validar o texto, prossegue o Les Echos. O jornal diz que alguns magistrados reclamaram, não queriam sancionar uma lei aprovada sob pressão da opinião pública, mas finalmente uma maioria apertada garantiu a decisão favorável do Supremo.

Les Echos cita o caso emblemático de Paulo Maluf, ex-prefeito e ex-governador de São Paulo regularmente acusado de desvio de dinheiro público. Durante décadas, ele arranjou um jeito de escapar de suas responsabilidades, escreve o diário. Outros, mais malandros, renunciavam a seus mandatos pouco tempo antes de se apresentar para uma nova eleição. Daqui para a frente, esse tipo de artifício não será mais possível.

O respeitado jornal francês questiona, no entanto, até onde vai o desejo de moralização na política brasileira. As eleições municipais de outubro devem ser um termômetro dessa nova consciência política, analisa o jornal. Ninguém fala ainda de caça às bruxas, mas se quiserem ser eleitos, os políticos brasileiros devem andar na linha daqui para frente, conclui Les Echos.
 

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