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Irã/ Nuclear

Missão especial da AIEA no Irã não obtém acordo

Herman Nackaerts, chefe da delegação da IAEA durante coletiva de imprensa em sua chegada ao aeroporto de Viena, nesta quarta-feira.
Herman Nackaerts, chefe da delegação da IAEA durante coletiva de imprensa em sua chegada ao aeroporto de Viena, nesta quarta-feira. REUTERS/Herwig Prammer
Texto por: RFI
4 min

A Agência Internacional de Energia Atômica da ONU (AIEA) anunciou nesta quarta-feira que a última visita dos inspetores a Teerã foi uma decepção. O chefe dos inspetores da agência, Herman Nackaerts, declarou em sua chegada ao aeroporto de Viena, não ter conseguido chegar a um acordo com Teerã sobre a continuação das negociações sobre o controvertido programa nuclear do país.

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Na véspera, a agência da ONU já tinha reclamado da falta de acordo com o Irã depois das discussões sobre o programa nuclear, que os ocidentais acreditam ter objetivos militares. A República Islâmica afirma que sua natureza é puramente pacífica.

Em comunicado na sua página Facebook, a agência diz que pediu acesso a uma importante central atômica nos arredores de Teerã, mas o pedido foi negado pelo governo iraniano. A central que os inspetores queriam visitar é suspeita de ter abrigado testes com explosões nucleares há cerca de dez anos.

O Irã alega que os especialistas da ONU estavam no país para conversar não para visitar centrais nucleares. Não está claro se houve de fato divergência sobre o objetivo da visita, mas o fato é que as partes voltaram ao impasse.

Nas últimas semanas parecia haver um ânimo renovado para resolver a questão iraniana. Os inspetores da ONU haviam feito uma visita ao Irã em janeiro que qualificaram de boa e produtiva. O governo iraniano também estava empolgado e apostava que o trabalho dos peritos serviria como uma base positiva para futuras negociações diplomáticas com as potências.

O Irã até mandou uma carta à União Europeia se dizendo pronto a retomar conversas formais paradas há mais de ano. A carta iraniana foi bem recebida até mesmo pelos EUA. A secretária de Estado Hillary Clinton disse que se tratava de um passo positivo. A França também havia elogiado a iniciativa iraniana.

Líder supremo iraniano nega

O Líder supremo da República Islâmica, Ali Khamenei, voltou a afirmar que o Irã não tem o objetivo de desenvolver uma arma atômica.

Mas declarou de maneira contraditória que, “nós queremos acabar com a supremacia baseada em armas atômicas das grandes potências, e graças a Deus, o povo iraniano conseguirá”, em um discurso para cientistas nucleares do país, citado em um comunicado oficial do governo.

“A energia nuclear é diretamente ligada aos interesses nacionais do Irã”, continuou o aiatolá Khamenei que também pediu aos pesquisadores que “continuem seriamente o trabalho”, que considera “fundamental”.

Ele também denunciou “os assassinatos dos cientistas nucleares iranianos e as pressões dos países ocidentais que são símbolo da fraqueza dos inimigos.

Os atritos com o Irã estão causando alta no preço do petróleo o que dificulta ainda mais a situação econômica de europeus e americanos. Já o Irã, parecia diminuir o risco iminente de sofrer um ataque. Com o impasse sobre a mais recente visita dos inspetores tudo leva a crer que a tensão aumentará outra vez.

As atenções agora se voltam para a agência nuclear da ONU que divulgará em março um relatório decisivo sobre o Irã.

Com a colaboração de Samy Adghirni, correspondente da Folha de S.Paulo em Teerã, para a Rádio França Internacional.
 

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