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Rio+20/ negociações

Penúltima rodada de negociações da Rio+20 termina em impasse

Cristo Redentor recebe iluminação especial durante a Rio+20.
Cristo Redentor recebe iluminação especial durante a Rio+20. REUTERS/Siemens/Handout
Texto por: RFI
3 min

A Rio+20 encerrou sua primeira rodada de negociações nesta sexta-feira sem chegar a um acordo para um documento final, e caberá agora ao Brasil, anfitrião do evento, liderar as discussões para tentar evitar que a cúpula seja um retrocesso nas políticas de desenvolvimento sustentável.

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Países desenvolvidos, tradicionais financiadores de projetos ambientais e os mais afetados pela crise econômica internacional, mantiveram-se resistentes ao compromisso de novos aportes e transferência de tecnologia. A presidente Dilma Rousseff deve aproveitar a cúpula do G20, que reunirá na semana que vem, no México, as principais economias do mundo, para tentar evitar o fracasso da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que acontece no Rio de Janeiro.

"Já não é mais hora de colocar texto na tela e mudar verbos, agora é a hora final, é a hora de fechar o texto, e vamos fechar o texto", disse o embaixador Luiz Figueiredo, um dos negociadores-chefe da delegação brasileira na Rio+20. Com a falta de um acordo no último dia das reuniões preparatórias, o Brasil assumirá a liderança das negociações.

Nos próximos dias, o País deverá realizar consultas informais para tentar costurar um acordo antes da cúpula de alto nível, que reunirá chefes de Estado a partir do dia 20. Essas abordagens discutirão o "imprescindível", segundo Figueiredo, que negou a existência de um texto de consenso pronto.

Ministros de diversos países devem se juntar às negociações a partir deste fim de semana para concluir o texto até o dia 19. Mais cedo, o diretor do Departamento de Desenvolvimento Sustentável da ONU, Nikhil Seth, já havia afirmado que as negociações seriam prolongadas até a próxima semana, e disse que menos de 30% do texto final havia sido acertado. Os principais pontos em disputa são quanto à implementação do desenvolvimento sustentável, como capacitação e financiamento, e o fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Nas negociações, países ricos teriam rejeitado realizar novos aportes para projetos e se posicionaram fortemente contra a transferência de tecnologia, disseram à Reuters duas fontes a par das negociações, sob condição de anonimato. Há receios de que o impasse possa gerar um texto com ambições "muito baixas", disse uma das fontes, que citou ter visto delegações com documentos de reuniões anteriores debatendo pontos que já haviam sido concordados em outras conferências da ONU. "Há a chance real de retrocesso", afirmou.

Apesar dos impasses, o Brasil tentou demonstrar otimismo com as negociações. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que as conversas chegaram a "avanços e consensos" e declarou não haver possibilidade de fracasso. Mas, no fim do dia, com as chances de um acordo praticamente nulas, o ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, pediu mais "ambição" dos países participantes.

As expectativas já estavam baixas antes do início da conferência, que ocorre em meio à piora da crise econômica internacional, e diante da resistência de nações desenvolvidas de assumir novos compromissos.
 

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