Rússia/Justiça

Governos ocidentais criticam condenação de jovens do Pussy Riot

Manifestantes protestaram em favor das garotas do grupo de punk rock Pussy Riot em todo o mundo nesta sexta-feira, como em Viena, na Áustria (foto).
Manifestantes protestaram em favor das garotas do grupo de punk rock Pussy Riot em todo o mundo nesta sexta-feira, como em Viena, na Áustria (foto). REUTERS/Lisi Niesner

A União Europeia, a França, o Reino Unido e os Estados Unidos criticaram a decisão do tribunal Khamovnitcheski de Moscou que condenou a dois anos de prisão três jovens do grupo de punk rock russo Pussy Riot nesta sexta-feira. Nadejda Tolokonnikova, de 22 anos, Ekaterina Samutsevitch, de 29 anos, e Maria Alekhina, de 24 anos, foram consideradas culpadas por vandalismo motivado por ódio religioso devido a um vídeo de protesto contra o presidente Vladimir Putin em uma igreja de Moscou.

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O presidente da Assembleia parlamentar do Conselho da Europa, Jean-Claude Mignon, expressou sua "consternação" com a condenação das jovens. "Em uma democracia, o exercício da liberdade de expressão pode estar submetido às condições que visam proteger a moral e também os direitos do outro. Mas as sanções devem ser proporcionais à gravidade dos crimes cometidos”, afirmou.

“Diante dos padrões do Conselho da Europa, uma pena de prisão de dois anos pelos fatos que foram motivos de acusação é claramente desproporcional”, disse. Mignon disse ter esperanças de que a justiça russa possa rever a condenação.

A Rússia é membro desde 1996 do Conselho da Europa, instituição que reúne 47 países e tem como princípioa defesa dos Direitos Humanos, da democracia e do estado de direito.

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton também considerou a sentença de prisão das jovens como "desproporcional". Estou profundamente decepcionada pelo veredicto do tribunal da Rússia”, disse Ashton.

“Esta sentença é desproporcional”, afirmou a responsável pela diplomacia do bloco. Referindo-se às alegações de “maus tratos”, que a três cantoras do grupo disseram sofrer durante a prisão provisória, e as “irregularidades” denunciadas durante o processo, Catherine Ashton afirmou que o caso representa uma “assunto grave” em relação ao respeito do direito na Rússia.

O ministério francês das Relações Exteriores também criticou a condenação. Através de seu porta-voz, Vincent Floreani, Paris anunciou que "o veredito é desproporcional", que o processo ainda não terminou e que ainda é possível recorrer na justiça russa.

Já Washington manifestou, através de um comunicado, sua preocupação pelas penas do tribunal de Moscou. "Nós pedimos que as autoridades russas revisem este processo de forma que a liberdade de expressão seja mantida", disse o departamento de Estado americano documento divulgado.

Em Londres, o secretário britânico das Relações Estrangeiras disse estar preocupado sobre o caso. "Nós apelamos várias vezes às autoridades russas para proteger os Direitos Humanos, o direito da liberdade de expressão e para que aplicassem a lei de maneira não discriminatória e proporcional", lamentou.

 

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