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Ciência/Descoberta

Astrônomos observam pela primeira vez planeta órfão

Impressão artística do planeta errante descoberto por cientistas europeus e canadenses.
Impressão artística do planeta errante descoberto por cientistas europeus e canadenses. European Southern Observatory
Texto por: RFI
4 min

Um planeta errante, que orbita em torno de qualquer estrela e flutua livremente no vazio intersideral, foi descoberto por astrônomos europeus e canadenses, que puderam determinar sua idade, sua massa e sua temperatura.

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"Esse tipo de planeta, tão frio e tão jovem, ainda que conhecido dos cientistas teóricos, nunca havia sido observado até agora", e também é "o objeto de massa planetária mais próximo de nosso sistema solar descoberto até agora", resumiu em um comunicado Etienne Artigau, astrofísico na Universidade de Montreal.
Esse planeta flutuante está situado a cerca de cem anos-luz do nosso Sol.

Os astrofísicos do Centro de pesquisa de astrofísica do Quebec e da Universidade de Montreal descobriram esse planeta em colaboração com os astrônomos franceses.

Batizado de CFBDSIR2149, esse mundo errante parece fazer parte de um grupo de estrelas muito jovens conhecido pelo nome de "associação jovem AB Doradus".

AB Doradus é o "grupo estelar em movimento" mais próximo do sistema solar. Suas estrelas se deslocam juntas no espaço e acredita-se que tenham se formado no mesmo período.

Os pesquisadores conseguiram inicialmente realizar uma série de fotos infravermelhas do planeta CFBDSIR2149 com o Telescópio Canadá-France-Havaí, e em seguida utilizaram a potência do VLT, o enorme telescópio do Observatório europeu austral no Chile, para deduzir sua massa, sua temperatura e sua idade.

O planeta órfão tem somente entre 50 e 120 milhões de anos, sua temperatura está em torno de 400 °C e ele possui uma massa de 4 a 7 vezes maior que a de Júpiter, significativamente abaixo da massa dos "anões marrons", essas "estrelas fracassadas" que não têm massa suficiente para provocar as reações nucleares que fazem as estrelas brilharem.

Esse resultado, que os cientistas tentam obter há mais de dez anos, reforça as teorias sobre a formação das estrelas e dos planetas, segundo os especialistas da Universidade de Montreal. "Ao longo dos últimos anos, vários objetos desse tipo foram localizados, mas nenhuma confirmação científica da idade deles havia podido validar sua existência", explica o cientista Jonathan Gagné.

De acordo com Etienne Artigau, "esse objeto foi encontrado durante a varredura de um espaço equivalente a mil vezes a superfície da lua. Observamos centenas de milhões de estrelas e planetas e encontramos somente um planeta errante próximo de nós".

"Esses objetos não são necessariamente raros, mas nós vemos somente aqueles que estão muito próximos. É como procurar uma agulha em milhares de palheiros", declara o astrofísico. A ausência de estrelas nas proximidades desse planeta permitiu que a equipe estudasse sua atmosfera com o máximo de detalhes.

"Tentar observar planetas ao redor da estrela deles é como querer estudar um vagalume a um centímetro de um poderoso farol de carro relativamente distante de nós", explica o cientista francês Philippe Delorme, que coordena o projeto. "Esse objeto errante próximo da Terra nos oferece a oportunidade de estudar o vagalume de maneira detalhada, sem a luz ofuscante do carro".

Esses dados vão por sua vez ajudar os astrônomos a compreenderem melhor os planetas que orbitam em torno de outras estrelas que não o Sol.

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