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Fato em Foco

Pescadores acampam diante de consulado do Brasil na Guiana Francesa e expõem tensões da região

Áudio 05:09
Vila Brasil, vilarejo vizinho da cidade de Camopi, na Guiana Francesa, na região do rio Oiapoque
Vila Brasil, vilarejo vizinho da cidade de Camopi, na Guiana Francesa, na região do rio Oiapoque F. Farine/RFI
Por: Danilo Rocha Lima
8 min

Desde a última quinta-feira, pescadores acampam na frente do consulado do Brasil, em Caiena, capital da Guiana Francesa. Apenas os funcionários da representação brasileira tem acesso ao prédio. Ao som de tambores e música, os pescadores denunciam a invasão de pescadores ilegais brasileiros nas águas francesas.

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A situação entre os profissionais da pesca franco-guianenses e brasileiros é tensa e já dura quase uma década. Roubos de carga, expulsões e invasão de águas estrangeiras são o motivo da revolta dos franceses. Neste fim de semana, um funcionário do consulado quase entrou em confronto com os pescadores. Os franco-guianenses também pedem que a França perdoe as dívidas da comunidade pesqueira e estabeleça um plano de reestruturação do setor, afetado pela concorrência ilegal.

Nesta edição, ouça o representante dos pescadores e um especialista em relações internacionais. O presidente do comitê dos pescadores da Guiana Francesa, Jocelly Médaille, afirma que os profissionais não deixarão a entrada do consulado até que o governo brasileiro estabeleça medidas para a fiscalização e prisão de pescadores ilegais vindos do Brasil. Ele também denuncia atos de pirataria de brasileiros em águas francesas.

Outro ponto de discórdia é a ponte do rio Oiapoque, que ligaria o norte do Amapá ao departamento francês. Ela está pronta desde 2011 do lado da França, mas ainda inacabada na margem brasileira, o que causa indignação na população local.

A Guiana Francesa concentra a maior região de fronteira entre a França e um país vizinho. Mais de 400 quilômetros demarcam a separação entre os dois países.Para o professor de Geografia Política e Mestre em Relações Internacionais da UERJ, Ricardo Luigi, a falta de interesse em resolver esses impasses pelo lado brasileiro é o retrato do descaso das autoridades em relação à região norte do país.
 

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