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Reportagem

Cooperação sul-sul inova e é apreciada pelos governos africanos

Áudio 07:25
Delegação brasileira em reunião preparatória da 5ª Cúpula do Brics na África do Sul.
Delegação brasileira em reunião preparatória da 5ª Cúpula do Brics na África do Sul. Flickr/Brics 5
Por: Adriana Moysés
10 min

Ao falar do Brics, o grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, especialistas de todas as áreas costumam se referir à forma menos arrogante com que os emergentes estabelecem seus programas de cooperação em comparação com ex-potências coloniais. Esse novo padrão agrada aos governos africanos.

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Os países do Brics não querem se posicionar como doadores internacionais nos moldes como atuaram até hoje os países desenvolvidos do norte, particularmente no continente africano. A afirmação é de Oliver Hillel, oficial do programa do Secretariado da Convenção sobre Biodiversidade das Nações Unidas, em Montreal, um observador assíduo de negociações multilaterais. Hillel considera o Brics cada vez mais influente nas decisões das agências da ONU. Ele destaca que os emergentes contribuem com uma agenda do país recebedor de apoio, e não com uma agenda imposta pelos interesses do investidor (clique acima para ouvir a entrevista completa com o biólogo).

A cooperação "à moda Brics" leva em conta necessidades locais, parece respeitar prioridades apontadas pelos governos beneficiados, e exige menos "condicionalidades", jargão utilizado pelos analistas quando falam do preço político cobrado em troca de investimentos e solidariedade financeira. Essa cultura Brics vem se consolidando nas negociações sul-sul e faz diferença para os países africanos.

Adriana Erthal Abdenur, coordenadora-geral do Brics Policy Center e professora de Relações Internacionais da PUC-Rio, afirma que a China, com seus investimentos bilionários na África, costuma impor uma condição: só negocia com países que não mantêm relações diplomáticas com Taiwan, a província autônoma considerada rebelde pelo governo chinês. O Brasil, que não tem a abundância de capital que a China possui, tampouco impõe cláusulas transsetoriais, afirma Abdenur. Já os países do norte fazem exigências como a adoção de seu modelo de democracia e projetos de desenvolvimento voltados aos interesses dos países industrializados.

"Acho que a África tem experiências negativas com muitos países europeus. O padrão de investimentos e de ajuda que o norte oferece já não é mais bem-visto por muitos africanos. Eles perderam a esperança de que os europeus possam ajudar no desenvolvimento do continente e, nesse contexto, o Brics oferece um momento novo", diz Sérgio Veloso, pesquisador que participou do Fórum Acadêmico do Brics pelo think-tank carioca.

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