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Atentado de Boston revela ameaça de "terrorismo interno" nos EUA

Reprodução de vídeo que mostra os irmãos Tamarlan Tsarnaev, de boné preto, e Djokhar Tsarnaev, de boné branco, suspeito de terem cometido os atentados da Maratona de Boston.
Reprodução de vídeo que mostra os irmãos Tamarlan Tsarnaev, de boné preto, e Djokhar Tsarnaev, de boné branco, suspeito de terem cometido os atentados da Maratona de Boston. Reuters

A imprensa francesa deste sábado continua a dar grande destaque para as investigações do atentado da maratona de Boston. Na avaliação dos jornais, as explosões que deixaram mais de uma centena de vítimas e três mortos trazem à tona a ameaça do "terrorismo interno" nos Estados Unidos.

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 O jornal Le Monde se questiona logo na capa sobre a existência um movimento islâmico radical originário do próprio território norte-americano. Esse movimento "jihadista interno", como classifica o jornal, reuniria imigrantes "americanizados" e integrados  recentemente à sociedade dos Estados Unidos mas que, por algum motivo, enveredam para o terrorismo.

Na avaliação do jornal, esse perfil poderia corresponder ao dos dois irmãos orginários da Chechênia suspeitos de terem provocado as explosões que mataram 3 pessoas e deixaram 170 feridos. O Libération também ouve especialistas que acreditam nessa hipótese de "autoradicalização". Para eles, esse tipo de terrorismo é dificilmente detectável, pois as pessoas envolvidas, na maioria jovens, apresentam um comportamento normal. Mas uma viagem ou contatos com movimentos islâmicos via internet podem ser o estopim de uma guinada para o radicalismo, avalia o jornal.

O diário Aujourd'hui en France traz mais informações sobre Tamarlan Tsarnaev, o irmão mais velho de 26 anos que é suspeito de ser o cérebro dos ataques. O jornal informa que Tamerlan já tinha um histórico de violência contra uma ex-namorada e que já havia feitos declarações que mostravam sua insatisfação com os Estados Unidos. Ele disse a seus familiares que não tinha "nenhum amigo americano" e que não "conseguia entendê-los". Já seu irmão mais novo, Djokhar Tsarnaev, se mostrava perfeitamente integrado, mas, segundo próximos dos irmãos, o caçula era muito influenciável.

Sobre o atentado, o Figaro traz também uma reportagem sobre a comoção que a perseguição aos suspeitos provocou nas redes sociais. A polícia de Boston teve que inetrvir e pedir que os internautas não comprometessem a operação dos policiais. No Twitter, muitas publicações revelavam em tempo real os passos dos policiais que procuravam localizar Djokhar. Mas, lembra o Figaro, as redes sociais também foram um instrumento valioso na investigação. Em menos de 24 horas após o atentado, a polícia já havia recebido mais de 2 mil informações e fotografias de pessoas que correram ou assistiram a maratona.

 

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