Reportagem

Brasil subestimou efeitos da crise internacional, segundo economistas

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O ministro da Economia, Guido Mantega, está à frente da política econômica do país (foto de abril, em Washington).
O ministro da Economia, Guido Mantega, está à frente da política econômica do país (foto de abril, em Washington). EUTERS/Yuri Gripas

A economia brasileira multiplica os sinais negativos nos últimos meses: crescimento bastante abaixo do esperado em 2012, alta da inflação acima das metas do governo e agora a notícia de que a balança comercial deste ano pode fechar no negativo, pela primeira vez desde 2001. Conforme analistas, este resultado, que se traduz por o Brasil estar importando mais do que exporta, é o sinal de que o país subestimou os efeitos da crise econômica internacional.

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A demanda externa em queda brusca afeta diretamente a economia do país. O cientista político Frédéric Louault, pesquisador sobre o Brasil na Sciences Po, em Paris, e na Universidade Livre de Bruxelas, lembra quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmava que a crise não afetaria o Brasil.

Para Jean Joseph Boillot, especialista em economias emergentes do Centro de Estudos Prospectivos e Informação Internacional, em Paris, a política econômica baseada no consumo interno não tem sustentação, e agora o país sente os efeitos, com o aumento da inflação e a diminuição da atividade comercial.

Diante da situação delicada, o governo brasileiro estuda fazer economias de até 35 bilhões de reais no Orçamento deste ano. Os analistas consultados pela RFI se opõem a esta decisão, tendo o exemplo ainda fresco da Europa, onde as políticas de austeridade impedem a retomada do crescimento econômico. A economista Maria de Lourdes Rollenberg, da Universidade de Brasília, alerta para o perigo de cortes nos gastos.
 

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