Jornais se dividem sobre aumento do prazo para diminuir déficit em países em crise

Presidente socialista, François Hollande, é criticado pela demora em tirar a França da crise econômica.
Presidente socialista, François Hollande, é criticado pela demora em tirar a França da crise econômica. REUTERS/Charles Platiau

O prolongamento por mais dois anos do prazo para os países em crise na zona do euro diminuírem o déficit público foi o principal destaque dos jornais franceses neste sábado. Na sexta, a Comissão Europeia, em Bruxelas, decidiu que vários países, inclusive a França, terão até 2015 para equilibrar as contas públicas. A medida foi vista como um alívio às rígidas medidas de austeridade em vigor em várias economias do bloco.

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Mas para o jornal Le Figaro, conservador, essa decisão é a constatação de que a política econômica do socialista François Hollande na França é um fracasso. Em seu editorial de hoje, o Figaro argumenta que o "triste aniversário" de primeiro ano de governo de Hollande marca "um ano perdido", em que os franceses "veem a cada dia os estragos causados pela política do chefe de Estado".

O diário lembra da promessa de Hollande de reduzir o déficit a 3% do PIB ainda neste ano, o que segundo a Comissão Europeia não vai acontecer antes de 2015. Já o Le Monde e o Libération são menos duros com o socialista. O Le Monde afirma que a decisão europeia é o fim de uma rigidez orçamentária que "levou o euro às bordas de uma catástrofe". O jornal constata que os últimos anos foram marcados por "mentiras consentidas" dos líderes europeus, afinal no fundo eles sabiam que as promessas de redução de déficit a tão curto prazo não seriam realizadas. Portanto, para o Le Monde, o anúncio de ontem foi "economicamente sábio e politicamente habilidoso".

Também o Libération parabeniza Bruxelas e acha que este prazo maior pode ser uma "chance" para os europeus adotarem verdadeiras medidas para relançar a economia no bloco.
 

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