Imprensa francesa

Hollande aposta na venda de ações estatais para financiar plano de investimentos

François Hollande e o premiê francês, Jean-Marc Ayrault, nesta segunda-feira, 6 de maio de 2013, no Palácio do Eliseu, em Paris.
François Hollande e o premiê francês, Jean-Marc Ayrault, nesta segunda-feira, 6 de maio de 2013, no Palácio do Eliseu, em Paris. REUTERS/Gonzalo Fuentes

O plano de investimentos lançado pelo governo francês para os próximos dez anos, que prevê a cessão de ativos em diversas empresas onde o estado tem forte participação, é o destaque da imprensa francesa desta terça-feira.

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Um estado mais ativo. Assim o Libération informa, em tom otimista, a decisão do presidente François Hollande de ceder uma parcela da participação do estado francês em grandes empresas, cotadas ou não em bolsas de valores. A estratégia do governo é vender parte de seus ativos e usar o dinheiro para investir em pequenas e médias empresas e também em setores promissores, escreve o Libé. Porque não? questiona o jornal sobre essa alternativa lançada pelo governo para dar mais dinamismo à economia do país. Mas de nada adianta vender ações do estado se não houver uma verdadeira estratégia de investimentos com o dinheiro arrecadado, alerta o Libération em seu editorial.

O Les Echos escreve em sua manchete que Hollande optou por relançar privatições parciais. O jornal econômico fez um balanço das empresas onde o estado francês tem uma participação forte e poderá diminuir seu peso. Entre elas estão as fornecedoras de eletricidade e gás, EDF e GDF, o grupo aeroespacial EADS, a empresa que administra os aeroportos de Paris e até a empresa de telecomunicações France Telecom. Em editorial, o jornal diz que a estratégia é legítima, e fez um pararelo com uma família que está endividada e precisa vender as joias para investir. Mas o jornal chama a atenção para alguns riscos, entre eles o de que os investimentos sejam orientados para projetos que possam se transformar em elefantes brancos ou aprovados apenas devido à pressões políticas.

O comunista L'Humanité ironiza a decisão do governo com uma charge ilustrando o primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault pregando um cartaz de que o estado francês está à venda. O jornal também adota a expressão de que as joias da famílias estão sendo vendidas para o governo aumentar seu capital. São privatizações camufladas para financiar algumas prioridades de um governo que não cede à sua política de austeridade, denuncia o jornal.

O conflito sírio vai espalhar a tensão para todo o Oriente Médio? Esta é a questão que o Le Figaro estampa em sua capa diante da nova escalada de violência provocada pelos ataques israelenses contra o território sírio supostamente para evitar a transferência de armas para o Hezbollah libanês. A França e a Rússia estão profundamente preocupadas com a situação enquanto Washington trabalha para acalmar a situação. Segundo Le Figaro, os Estados Unidos estimam que ainda não provas confirmando o uso de armas químicas por isso o governo Barack Obama ainda resiste às pressões para entrar em cena e intervir para por um fim ao conflito.

 

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