Leilão de blocos de petróleo no Brasil tem grande destaque no Les Echos

O novo leilão de reservas de petróleo no Brasil é tratado com destaque na edição desta terça-feira do diário econômico Les Echos.
O novo leilão de reservas de petróleo no Brasil é tratado com destaque na edição desta terça-feira do diário econômico Les Echos. lesechos.fr

O novo leilão de reservas de petróleo no Brasil aberto a empresas estrangeiras em regiões do norte e nordeste do país, que acontece hoje e amanhã, é tratado com destaque na edição desta terça-feira do diário econômico Les Echos.

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Para o jornal francês, o leilão representa "quase" um dia histórico para o Brasil, pois pela primeira vez em cinco anos a Agência Nacional do Petróleo (ANP) volta a leiloar durante dois dias 289 lotes de exploração de petróleo e gás natural para empresas estrangeiras, o que não acontecia desde 2008. No total, 64 empresas de 21 países se interessaram pelos blocos, situados no norte e no nordeste do país, regiões até agora pouco exploradas, conforme relata o jornal. Segundo o Les Echos, a Petrobras vê essa "nova fronteira" com esperança.

O artigo observa que ainda é difícil estimar o potencial dos blocos leiloados, mesmo se a ANP fala em 9 bilhões de barris, mas os geólogos estão otimistas com base na teoria de que a África e a América Latina estiveram ligadas há 200 milhões de anos, o que faz crer que as estruturas geológicas de um lado e do outro do Atlântico sejam similares. O Les Echos sublinha que a bacia de Santos, no litoral do Rio de Janeiro, é parecida com os campos de petróleo offshore de Angola. Assim, os blocos mais ao norte, na foz do rio Amazonas ou no Ceará, poderiam corresponder às reservas do golfo da Guiné, da Nigéria ou de Gana.

Les Echos conta que o leilão gerou entusiasmo nas empresas do setor, a começar na própria Petrobras, mas também nas americanas ExxonMobil e Chevron, na anglo-holandesa Shell, nas britânicas BP e BG, na norueguesa Statoil, na espanhola Repsol e na chinesa CNOOC, que vão participar da venda. O diário esclarece que as empresas vencedoras do leilão terão de pagar royalties ao governo brasileiro, mas tem gente vendo com maus olhos essa abertura das reservas nacionais a empresas estrangeiras. O problema é que a Petrobras não tem dinheiro em caixa para arcar com novos investimentos. A empresa enfrenta um momento financeiro delicado, explica o Les Echos, tendo acumulado nos últimos anos uma dívida astronômica, em parte devido às sucessivas intervenções do governo para impedir o aumento dos preços dos combustíveis. Resultado: com uma dívida de US$ 74 bilhões, a Petrobras é hoje a empresa do setor mais endividada no mundo, e em um montante dez vezes superior, por exemplo, ao da ExxonMobil.

Na mesma página, o Les Echos informa que a francesa GDF Suez cedeu 20% de sua participação na usina hidrelétrica de Jirau, na Amazônia, em benefício do grupo japonês Mitsui, o que vai permitir à empresa francesa abater parte de suas dívidas.
 

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