Hollande corrige erro de imagem, mas não restabelece confiança

François Hollande durante a coletiva nesta quinta-feira (16) no Palácio do Eliseu.
François Hollande durante a coletiva nesta quinta-feira (16) no Palácio do Eliseu. REUTERS/Benoit Tessier

A entrevista coletiva de 2h40 concedida pelo presidente François Hollande a 400 jornalistas nesta quinta-feira, no Palácio do Eliseu, é o principal assunto nas manchetes de hoje. Os jornais são unânimes em afirmar que Hollande não apresentou nada novo, o que na verdade o socialista já havia antecipado, e inicia o segundo ano de seu governo sem reformas, apesar da recessão.

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Em seu editorial, o Libération, de tendência favorável aos socialistas, diz que Hollande conseguiu corrigir a imagem desastrosa que ele construiu em seu primeiro ano de governo, dando aos franceses a impressão de ser um presidente fraco e indeciso. Com o discurso voluntarista e ofensivo da coletiva, ele restaurou "pelo menos um pouco" sua aura de chefe de Estado, escreve o Libération. Mas o jornal diz não ter certeza que essa "correção da imagem" seja suficiente para restabelecer o clima de confiança no país. Existe uma urgência econômica e social cuja solução Hollande empurra para o futuro. O socialista voltou a reafirmar que o desemprego vai começar a cair até o final do ano, o que os economistas dizem que só vai acontecer com um milagre. O Libération avisa que o presidente será julgado por isso.

O diário econômico Les Echos acha que Hollande se ilude ao pensar que ainda tem quatro anos de prazo, até o final de seu mandato, para resolver a crise. Para o Les Echos, a coletiva trouxe uma boa e uma má notícia. A boa é que apesar das críticas na base socialista, Hollande mantém a linha política adotada até agora, mais favorável às empresas e ao aumento da competitividade da economia francesa. A má notícia, porém, segundo o Les Echos, é que Hollande acha que já colocou em prática todas os instrumentos disponíveis para reverter o desemprego e a estagnação econômica, o que para o jornal é uma decepção.

O jornal conservador Le Figaro é crítico com Hollande. Voluntarista no discurso, o chefe de Estado continua pregando o imobilismo a passos largos, afirma o editorial. No momento em que a França volta a entrar em recessão, Hollande não muda nada, informa irritado o Le Figaro. O jornal não entende essa postura e se declara "estupefato" com o otimismo de Hollande, que acha que a crise vai ser superada com o simples retorno da confiança.

O diário comunista L'Humanité critica o discurso de continuidade do socialista, que na opinião do jornal vai manter a França num ambiente de austeridade e desesperança para os trabalhadores.

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