Argentina/Ditadura

Ex-ditador argentino Jorge Videla morre aos 87 anos

Ex-ditador argentino Jorge Videla durante julgamento por seu envolvimento na Operação Condor, foto de 5 de março de 2013
Ex-ditador argentino Jorge Videla durante julgamento por seu envolvimento na Operação Condor, foto de 5 de março de 2013 REUTERS/Enrique Marcarian

O ex-ditador argentino Jorge Videla morreu hoje aos 87 anos na cadeia de Marcos Paz, a 45 quilômetros de Buenos Aires, onde ele estava preso pelos crimes que cometeu quando presidiu o país, entre 1976 e 1981. No momento de sua morte, o general cumpria duas sentenças concomitantes. Uma de 50 anos pela sinistra história do sequestro de bebês: durante a ditadura argentina, o regime roubava filhos pequenos de opositores assassinados ou desaparecidos e entregava essas crianças para que famílias ligadas ao governo criassem. Cerca de 500 bebês foram sequestradas. A outra pena, de prisão perpétua, era por crimes contra a humanidade.

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Videla estava preso desde 2008, quando a Justiça argentina decidiu que ele não poderia responder aos processos em liberdade. Ele já havia sido preso de 1985 a 1990, quando foi anistiado pelo então presidente Carlos Menem. Na última terça-feira, ele foi ouvido em processo relativo ao Plano Condor, a rede de repressão que ligava todos os regimes ditatoriais latino-americanos nas décadas de 70 e 80, sob a supervisão de Washington. Como sempre, ele se recusou a reconhecer a Justiça civil e pediu para ser ouvido em um Tribunal militar.

Videla, no entanto, nunca negou a responsabilidade sobre os crimes de que é acusado: das cerca de 30 mil pessoas que as organizações argentinas de defesa dos direitos humanos afirmam ter desaparecido durante os anos de chumbo argentinos, ele reconhece de 7 a 8 mil. Ele classificava a repressão como operação de uma guerra entre o estado argentino e perigosos "terroristas e comunistas".

De acordo com Cecilia Pando, presidente da Associação das Famílias e Amigos de Prisioneiros Políticos na Argentina, que representa vários militares condenados por crimes cometidos durante a ditadura, "na quinta-feira, Videla passou mal, não quis jantar e, na manhã de hoje, ele foi encontrado morto em sua cela". O relatório médico atestou morte natural. Para Martin Fresneda, secretário argentino dos Direitos Humanos, "é importante que ele tenha morrido de forma natural e dentro de uma cela. A justiça foi feita, não houve vingança e ele parte como responsável pelos maiores horrores que o povo argentino já viveu".

Nascido em 1925 nos arredores de Buenos Aires em uma família de militares, Jorge Videla estudou no colégio do exército na capital. Depois de uma carreira na infantaria, ele subiu nos quadros do exército até o cargo de comandante geral, em 1975. Em 1976, ele assumiu o governo militar, depois do Golpe de Estado. Com sua morte, só resta um dos generais que dirigiram a ditadura militar argentina, Reynaldo Bignone, que também está preso por crimes cometidos durante o período.
 

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