Organização Mundial do Comércio

Roberto Azevedo não esconde pessimismo com relação à OMC

Roberto Azevedo durante a coletiva de imprensa que concedeu em Brasília, nesta sexta-feira, 17 de maio
Roberto Azevedo durante a coletiva de imprensa que concedeu em Brasília, nesta sexta-feira, 17 de maio REUTERS/Ueslei Marcelino

O diplomata brasileiro Roberto Azevedo, próximo diretor geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), não escondeu um "certo pessimismo" com relação à retomada das negociações da Rodada Doha na coletiva de imprensa que concedeu nesta sexta-feira, em Brasília. Ele reforçou seu compromisso de lutar contra as medidas protecionistas adotadas pelos Estados membros depois da crise de 2008, mas reconheceu que "as negociações (de Doha) não avançam com a velocidade que esperávamos. Estamos em um momento delicado".

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Designado para suceder o francês Pascal Lamy no início de maio, Azevedo representa o Brasil na OMC desde 2008 e assumirá seu novo cargo no dia 1° de setembro, alguns meses antes de uma reunião ministerial da organização, que deverá acontecer em dezembro em Bali. Ele espera sair de lá com um "mínimo razoável" de resultados.

O ciclo de negociações sobre a liberalização do comércio lançado em Doha, Qatar, em 2001 está estacionado. Não caminhou com relação à abertura de mercados, à queda de barreiras fiscais, ao fim de subsídios nem às taxas excessivas praticadas pelos países ricos que impedem o progresso dos países em desenvolvimento no comércio internacional.

Azevedo terá de trazer à tona o debate sobre essas questões que opõem China, União Europeia, Índia e Estados Unidos, uma escolha que foi bem recebida pelos Estados membros na semana passada. Para eles, a retomada do diálogo pode ser um passo importante para sair do impasse atual.

Com relação ao protecionismo, Azevedo disse que "apenas cerca de 20% das medidas consideradas protecionistas que foram introduzidas em 2008 foram retiradas". Ou seja, 80% estão em vigor e o processo será, portanto, "lento e gradual", afirmou. "Já vi dias melhores. Mas me comprometo a trabalhar com todos os membros para restaurar o papel da OMC e a relevância que ela merece ter", declarou o brasileiro na última terça-feira em Genebra, durante sua nomeação formal pelo 159 Estados membros, reunidos em sessão do Conselho da OMC.
 

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