Imprensa teme violência na última manifestação contra o casamento gay

Opositores ao casamento gay protestam nas ruas de Paris, no dia 18 de abril de 2013.
Opositores ao casamento gay protestam nas ruas de Paris, no dia 18 de abril de 2013. REUTERS/Gonzalo Fuentes

O último grande protesto organizado pelos opositores ao casamento gay, promulgado há uma semana na França, acontece neste domingo com uma grande manifestação em Paris. O assunto é tema de primeira página nos jornais deste sábado. As autoridades francesas, assim como a imprensa, temem distúrbios durante a passeata que pode reunir de 200 mil a 1 milhão de pessoas nas ruas da capital, segundo os jornais.

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O Le Monde afirma em manchete que depois do combate de vários meses contra uniões homoafetivas, o que sobrou é uma tentação neoconservadora de direita entre os opositores. Em cinco páginas de reportagens e análise sobre o tema, o Le Monde mostra que a resistência ao casamento homossexual se manifesta principalmente entre os católicos mais fervorosos e dogmáticos, que dizem com frequência que dar aos homossexuais os mesmos direitos concedidos aos heterossexuais representa "uma mudança de civilização". Um especialista do catolicismo na França, Philippe Portier, ouvido pelo jornal, diz que essa parcela da população tem a impressão que o mundo vai desabar se pessoas do mesmo sexo começarem a se unir e formar famílias como os heterossexuais.

O Le Monde observa que essa resistência esfriou os planos do governo socialista de apresentar novas reformas na área comportamental, como por exemplo o direito de voto aos estrangeiros e a facilitação da eutanásia, que só devem entrar no calendário do executivo depois de 2014. A ordem, no Palácio do Eliseu, é acalmar o jogo com os adversários.

O diário conservador Le Figaro também dedica várias páginas a esta última "Manif pour Tous", slogan das passeatas contra o casamento gay. O jornal exagera nos números, prevendo 1 milhão de manifestantes amanhã nas ruas em Paris. Le Figaro afirma em seu editorial que desde 17 de novembro do ano passado, data da primeira manifestação, ninguém na França imaginava que a oposição ao casamento gay fosse assumir tais proporções. Na opinião do Figaro, que de maneira geral é bastante crítico em relação ao governo socialista, essa lei divide os partidos políticos e a população.

O Aujourd'hui en France informa que o governo estuda proibir o movimento civil anticasamento gay chamado Printemps Français, A Primavera Francesa, em tradução livre, cujo objetivo é atrair o maior número de extremistas católicos e outros grupos de extrema-direita contra o casamento gay. Atualmente, esse movimento nebuloso conta com 700 seguidores no Twitter, mas o perigo é que ele foi aceitando, ao longo das manifestações, a adesão de nacionalistas radicais e grupelhos xenófobos.
 

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