Suécia/ conferência

Cientistas confirmarão responsabilidade do homem no aquecimento global

A ministra sueca do Meio Ambiente, Lena Ek, e Thomas Stocker, representante da ONU, durante conferência em Estocolme sobre mudanças climáticas.
A ministra sueca do Meio Ambiente, Lena Ek, e Thomas Stocker, representante da ONU, durante conferência em Estocolme sobre mudanças climáticas. REUTERS/Bertil Enevag Ericson/Scanpix

As alarmantes consequências das mudanças climáticas devem ser confirmadas por um dos eventos científicos mais importantes sobre o tema, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), que se iniciou nesta segunda-feira em Estocolmo (Suécia). O IPCC, que ganhou o prêmio Nobel da Paz em 2007, revelará na sexta-feira, após quatro dias de debates, o primeiro volume de um relatório completo sobre as mudanças climáticas, suas consequências e os meios para combater o problema, confirmou seu presidente, Rajendra Pachauri.

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"As provas científicas das (...) mudanças climáticas se reforçaram a cada ano, deixando pouca incerteza, salvo sobre suas graves consequências", declarou Pachauri, durante a abertura da conferência em Estocolmo.

Este será o quinto relatório do painel da ONU - que reúne milhares de cientistas - desde sua criação, em 1988. Segundo uma versão provisória do texto divulgado ontem, o documento final, de 31 páginas, vai confirmar a responsabilidade do ser humano no aquecimento da Terra e apontará a intensificação de alguns eventos extremos, como o aumento do nível do mar.

O relatório, que contou com a colaboração de 520 autores, também destacará a urgência de tomar medidas para poder conter o aquecimento da Terra a +2ºC. Este objetivo, adotado pelos 195 países que negociam na ONU um acordo mundial sobre o clima, parece cada vez mais distante, segundo cientistas. O texto ainda deve apresentar hipóteses para explicar a diminuição do ritmo do aquecimento global desde o início do século, apesar do aumento das emissões de gases de efeito estufa.

Análise minuciosa

Os delegados - cientistas e representantes de governos - divulgarão o relatório depois de examinar, durante quatro dias, as novas evidências das mudanças climáticas e suas consequências. Pachauri ressaltou que o documento será aprovado "linha por linha" antes do fim da reunião de Estocolmo.

"Não conheço um documento que tenha sido submetido a este tipo de análise minuciosa e que tenha envolvido tantas pessoas com espírito crítico, que ofereceram sua perspicácia e conselhos", afirmou o co-presidente do grupo de trabalho que assinou o documento, Thomas Stocker.

O relatório "se baseou em milhares de medições na atmosfera, na terra, no gelo, no espaço", afirmou o cientista suíço, que é professor da Universidade de Berna, na Suíça. Ele ressaltou que estas medidas permitem ter uma visão sem precedentes e imparcial da situação do clima.

"A mudança climática é um dos grandes desafios de nossa época", reafirmou o especialista, afirmando que "esta mudança ameaça nossos recursos primários, a terra e a água". "E como ameaça nossa única residência, devemos enfrentá-la", ressaltou o especialista, acrescentando que isso exige "as melhores informações para tomar as medidas mais eficazes".

Em 2007, o IPCC gerou uma mobilização sem precedentes as respeito do clima, o que rendeu a atribuição do prêmio Nobel da Paz ao lado do ex-vice-presidente americano Al Gore.
 

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