Jornais divergem sobre excesso de carga tributária na França

Capa dos jornais franceses L'Humanité, Le Figaro e Libération desta quinta-feira 10 de outubro de 2013
Capa dos jornais franceses L'Humanité, Le Figaro e Libération desta quinta-feira 10 de outubro de 2013

Os jornais de hoje questionam em suas manchetes se o peso da carga tributária sobre as empresas está inibindo a retomada do crescimento na França. Os jornais Libération, pró-governo, e o Le Figaro, de oposição, têm opiniões antagônicas sobre o assunto.

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A instabilidade fiscal exaspera os empresários, diz a manchete do Le Figaro. Segundo o diário conservador, além dos aumentos de impostos decretados pelo governo socialista, os empresários franceses estão sofrendo com as mudanças constantes da legislação, um fenômeno que na avaliação do jornal tem inibido a retomada dos investimentos e a criação de empregos. O Le Figaro lembra que as empresas trabalham com ciclos de investimentos longos, mas no cenário atual as regras tributárias mudam o tempo todo, deixando os empresários inseguros e sem visibilidade suficiente do futuro.

O governo francês se tornou campeão da cobrança de impostos, escreve o Le Figaro em seu editorial. Em dois anos, foram criadas nada mais, nada menos que 80 novas taxas e impostos. Toda semana, o governo socialista anuncia um novo imposto para as empresas; às vezes, reconhecendo um erro, volta atrás. Resultado: a França tem hoje uma política fiscal que ninguém entende, um fator permanente de desconfiança que faz os empresários adiarem projetos, investimentos e novos empregos.

O jornal progressista Libération vê a mesma evolução tributária de forma diferente. Considera que a classe média está pagando mais impostos que as empresas e acusa os empresários franceses de irresponsabilidade diante dos desafios econômicos do país.

"Para os patrões, nunca é suficiente", afirma a manchete do Libération. Em entrevista ao jornal, o ministro do Planejamento, Bernard Cazeneuve, contesta a falta de apoio do governo socialista aos empresários. O ministro informa que em 2014 as empresas francesas vão receber 10 bilhões de euros de créditos de impostos. O Libération encara esses recursos como um presente do governo que deveria ser transformado em investimentos diretos e empregos.

O jornal comunista L'Humanité questiona em manchete se o governo não vai reagir ao anúncio de 10 mil demissões no grupo franco-americano Alcatel. Desse total, 2 mil postos de trabalho vão desaparecer na França.

O L'Humanité diz esperar que o governo avalie e reoriente a estratégia do grupo de telecomunicações para evitar a sangria de empregos.

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