EUA/Economia

EUA têm quatro dias para evitarem moratória inédita

O presidente americano, Barack Obama recebe nova proposição dos Republicanos.
O presidente americano, Barack Obama recebe nova proposição dos Republicanos. REUTERS/Kevin Lamarque

Semana decisiva nos Estados Unidos. O presidente Barack Obama e a oposição republicana têm quatro dias para chegarem a um acordo sobre a elevação do teto da dívida e evitarem o primeiro default de pagamentos da história dos Estados Unidos. A possibilidade de um calote americano preocupa os mercados.

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O Tesouro americano já preveniu que não terá mais condições para contrair empréstimos nem para efetuar todos os seus pagamentos depois de quinta-feira. Há duas semanas, as operações da administração federal estão parcialmente paralisadas por causa do impasse entre o governo e a oposição em torno do orçamento federal para 2014 e sobre o aumento do teto da dívida.

O teto da dívida é uma espécie de “linha de crédito” máxima que o Congresso concede ao poder executivo e que não pode ser ultrapassada. Esse mecanismo existe desde 1917. Como o Estado americano opera com um déficit - 3,9% do PIB neste ano -, ele precisa continuar a se financiar por meio de emissões de títulos e a renovar sua dívida.

Os papéis americanos são considerados os mais seguros do mundo. Por esse motivo, um calote, ainda que parcial, poderia ter um efeito devastador, como avaliou a ontem diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde. Para Lagarde, um “default” dos EUA poderia afundar as finanças globais numa crise ser ainda pior que a iniciada em 2008.

Neste domingo, o Senado se reuniu excepcionalmente para discutir um compromisso, mas sem resultados concretos. A Casa Branca mantém sua posição de não ceder aos cortes sociais exigidos pela oposição para aprovar o orçamento federal e um novo teto para a dívida. O presidente Obama declarou que se recusa a negociar com “uma arma apontada para a cabeça” e acusa seus adversários políticos de serem irresponsáveis.

Repercussão

Diante do impasse que compromete as perspectivas da economia mundial, as bolsas europeias abriram hoje no vermelho. O euro está em alta cotado a US$ 1,35 (R$ 2,94).

Em uma entrevista ao jornal Le Figaro, o presidente do banco central da França, Christian Noyer, afirmou que uma moratória americana seria uma “tempestade nos mercados” com “turbulências mundiais extremamente violentas e profundas”, avaliou.

A Economist Intelligence Unit, consultoria da revista britânica “The Economist”, é mais otimista. “O impacto político sobre a elevação do teto da dívida é mais preocupante, mas acreditamos em um acordo de último para evitar um ‘default’”.

Os americanos se sentem cada dia mais prejudicados pela paralisação das agências federais, que já dura duas semanas, e culpam os republicanos pela crise. Pesquisas apontam que a popularidade dos republicanos despencou para 24%, o índice mais baixo desde a criação das sondagens de satisfação.

O presidente Barack Obama aproveita esta situação para reforçar sua liderança. Nos últimos dias, ele fez conferências por vídeo com 150 executivos de grandes empresas e empresários americanos, tradicionalmente próximos dos republicanos, para explicar em detalhes seu programa de governo.

 

 

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