França/Imprensa

Direita visa acabar com cidadania automática para filhos de estrangeiros

Jean-François Copé, secretário-geral do partido UMP
Jean-François Copé, secretário-geral do partido UMP Photo d'archives/REUTERS/Benoît Tessier

Ainda sob o impacto da truculenta deportação da cigana Leonarda, de 15 anos, para o Kosovo, a imprensa francesa dedica suas manchetes nesta quarta-feira à política interna. A poucos meses das eleições municipais, a imigração tomou o centro do debate no país: a oposição aproveita o momento para angariar alguns votos da extrema-direita, com propostas de endurecimento das políticas migratórias, enquanto o governo, envolto em uma crise de popularidade, se vê na dura tarefa de fazer baixar a poeira da expulsão de Leonarda, sem perder ainda mais apoio dos conservadores.

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Tanto Le Figaro quanto o Libération destacam na capa as declarações de ontem de Jean-François Copé, chefe da UMP, o partido do ex-presidente Nicolas Sarkozy. Ontem, ele anunciou a criação de um grupo de trabalho tanto na Assembleia quanto no Senado para discutir imigração.

Entre as propostas dele estão a reforma do espaço Shengen, que prevê a livre circulação dentro da União Europeia, a revisão do direito de solo, que garante cidadania a quem nasce na França e o que ele chamou de "redução da atratividade social francesa".

Na capa, o Libération analisa a UMP no país Frente Nacional: "Assistimos hoje Jean-François Copé e François Fillon caçarem abertamente nas terras da frente nacional", diz o jornal de esquerda, em editorial. E faz um alerta: "convém denunciar este desvio inquietante, que fragiliza a própria noção de integração. Acima de tudo, é imperativo que a esquerda não se deixe levar por este debate e abandone seus valores em matéria de imigração".

Le Figaro destaca uma rachadura no seio do governo François Hollande. Na terça-feira, quatro dias depois de o presidente vir a público dizer que, se quisesse voltar para a França, Leonarda teria de fazer isso por conta própria, Jean Vincent Placé, senador do Partido Verde - que integra a base governista - conclamou os estudantes a protestar pelo seu retorno. A declaração foi prontamente classificada de "irresponsável" pelo senador Luc Carvounas, encarregado pelos socialistas das relações com os outros partidos da esquerda.

Em editorial, Le Figaro se pergunta até onde os verdes estão determinados a levar publicamente suas discordâncias com o Eliseu. E lembra outros casos de discordâncias internas no governo, escolhendo deliberadamente um culpado: François Hollande que, para o jornal, é "eternamente hesitante e incapaz de impor um semblante de autoridade sobre seu campo".

Para o diário católico La Croix, é preciso acomodar tanto a firmeza no cumprimento das leis e generosidade. "É preciso estabelecer mapas e estatísticas, comensurar a contribuição dos imigrantes na vida social, econômica e cultural do país; e agir sobre todas as engrenagens de uma verdadeira política migratória: ajudar o desenvolvimento dos países do sul, trabalhar pela paz nos locais de onde parte esta imigração, combater o tráfico humano e integrar os imigrantes instalados na França por meio de abrigo, educação e trabalho".

 

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