Egito/julgamento

Ex-presidente egípcio Mursi vai a julgamento nesta segunda

Partidários do presidente deposto Mursi, em julho de 2013.
Partidários do presidente deposto Mursi, em julho de 2013. Reuters

O ex-presidente egípcio Mohamed Mursi, destituído pelo exército no dia 3 de julho, começa a ser julgado nesta segunda-feira, por “incitação à morte” de sete manifestantes opositores de seu regime islâmico, em 2012. Mursi foi o primeiro presidente eleito após as três décadas de ditadura de Hosni Mubarak, deposto em 2011.

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Mursi está sendo mantido em local sigiloso, ele não foi mais visto desde sua prisão no começo de julho. A eleição de Mursi levava a crer na diminuição da influência do exército, muito influente durante o governo de Mubarak. Mas o temor de um Estado islâmico autoritário levou milhões de egípcios de novo às ruas, com o apoio do exército. A conturbada transição no país mais populoso do mundo árabe e a volta dos militares ao poder surpreenderam os aliados ocidentais.

Mursi deve comparecer ao tribunal com outras 14 lideranças de seu grupo, a Irmandade Muçulmana. Eles podem ser condenados à prisão perpétua ou à pena de morte se considerados culpados, o que aumentaria ainda a instabilidade política que tem prejudicado o turismo e o investimento num país onde um quarto das pessoas está abaixo da linha de pobreza.

As acusações de incitar a violência estão relacionadas com a morte de dezenas de pessoas em confrontos do lado de fora do palácio presidencial em dezembro, depois que Mursi irritou os adversários com um decreto que aumentava os seus poderes.

Por sua vez, a repressão contra os partidários de Mursi e contra a Irmandade Muçulmana foi acirrada. No dia 14 de agosto, soldados e policiais mataram centenas de manifestantes pró-Mursi no Cairo. Desde então, mais de mil simpatizantes do ex-presidente foram mortos e mais de dois mil integrantes da Irmandade Muçulmana foram detidos, incluindo quase toda a cúpula do grupo.
 

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