Bolsa Família e pressão social sobre Hollande em destaque nas manchetes

Capa dos jornais franceses Le Parisien, Libération, La Croix, e Les Echos desta quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Capa dos jornais franceses Le Parisien, Libération, La Croix, e Les Echos desta quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O desgaste enfrentado pelo presidente francês, François Hollande, principalmente por tensões econômicas e sociais, continua em destaque nas manchetes desta quinta-feira, 14 de novembro. Se de um lado o socialista está no olho de um furacão, no Brasil a presidente Dilma Rousseff tem no Bolsa Família uma poderosa arma eleitoral, segundo o jornal especializado em economia Les Echos.

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Em artigo dedicado aos dez anos do Bolsa Família, o Les Echos diz que a esquerda brasileira pode festejar os ganhos gerados pelo programa social criado no governo Lula: uma diminuição de 15% das desigualdades, graças ao aumento do salário mínimo, e um índice de extrema pobreza reduzido à metade. Esses resultados concretos fazem do programa social uma poderosa arma eleitoral para a esquerda.

O correspondente do jornal em São Paulo, Thierry Ogier, explica que 50 milhões de brasileiros, ou seja, um quarto da população, recebem o auxílio do Bolsa Família a um custo módico para o Estado, 0,5% do PIB. O programa é exemplar, segundo organismos internacionais, pois fez o índice de extrema pobreza cair de 9,7% para 4,3% da população.

Segundo o Les Echos, a um ano da eleição presidencial, a oposição está com medo do impacto eleitoral do Bolsa Família, principalmente quando vê o governo citar o programa na pré-campanha. Les Echos reproduz a frase que a presidente Dilma Rousseff martela em seus discursos: "um país rico é um país sem pobreza". Dilma conta com o Bolsa Família para conquistar um segundo mandato, escreve o Les Echos, e os protestos ligados aos gastos com a Copa do Mundo são um outro problema, para o jornal. Nesse caso o objetivo é "melhorar a qualidade dos serviços públicos, que contrariamente aos estádios de futebol, estão longe de responder às normas da Fifa".

Hollande no olho do furacão

Os franceses andam irritados com a aparente passividade do presidente francês diante dos problemas econômicos e sociais. O Aujourd'hui en France convidou 15 leitores e eleitores a falar sobre os problemas que eles têm enfrentado no cotidiano, nas mais diversas áreas: trabalho, habitação, escola, saúde, poder de compra, acesso a cultura. Uma intimação para Hollande dialogar com a sociedade e acabar com a sensação de que ele não ouve ou ignora o povo.

Esse clima deletério no governo abriu espaço para o crescimento da extrema-direita, inclusive com ataques racistas à ministra da Justiça, Christiane Taubira, que é negra. Para ilustrar sua indignação com o ressurgimento do racismo e da incitação ao ódio, o jornal progressista Libération publica uma edição especial sem imagens. Em cada página, aonde deveriam aparecer as fotografias, o que se vê é um quadro em branco. A manchete do Libération diz "Basta, chega de ódio e insultos racistas".

O conservador Le Figaro informa que secretários de segurança pública de todo o país escreveram ao presidente para relatar sua preocupação com o crescente clima de revolta, devido à difícil situação econômica.

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