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Brasil/ aeroportos

Após leilões, analistas divergem sobre salto de qualidade em aeroportos brasileiros

Aeroporto Galeão é o segundo mais importante do país.
Aeroporto Galeão é o segundo mais importante do país. Agência Brasil
Texto por: Lúcia Müzell
4 min

Em mais uma etapa para o Brasil melhorar as suas infraestruturas, hoje os aeroportos Galeão, no Rio de Janeiro, e de Confins, em Minhas Gerais, foram leiloados para consórcios com a participação de grandes nomes internacionais do setor. As transações tiveram ágio de 251% em relação aos valores apresentados inicialmente, o que foi comemorado pelo governo. Mas especialistas divergem se a entrada das grifes vai resultar em serviços de primeira, como se poderia imaginar.

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A operadora Changi administra o melhor aeroporto mundo, o de Cingapura, e integra com a brasileira Odebrecht o consórcio Aeroportos do Futuro, vencedor do leilão para a administração do aeroporto do Galeão. Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, está convencido de que o salto de qualidade vai ser grande nas operações.

“Com certeza, porque são empresas que tem tradição em operar aeroportos, empresas premiadas pelas operações realizadas tanto em Cingapura quanto em Frankfurt”, observa. “Essa é a grande notícia para nós, usuários.”

O professor do departamento de transporte aéreo do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) Anderson Ribeiro Correia avalia que as marcas internacionais não vão querer manchar a imagem, sobretudo com a chegada da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil. “São empresas mais tradicionais do que das outras vezes e têm uma marca melhor. Elas não vão querer manchar a imagem deles fazendo um mau serviço”, afirma. “Eles vão tentar fazer o melhor possível já para a Copa, mas vai ser mais difícil porque tem pouco tempo. Porém para as Olimpíadas, em 2016, acredito que a operadora de Cingapura vai fazer um bom trabalho, para poder se tornar uma marca global.”

Já na opinião de Eduardo Padilha, professor do Insper e especialista em infraestruturas, os consórcios vão se contentar em oferecer apenas o mínimo de qualidade exigido pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). “Eu não acho que isso vai agregar demais. Não vejo um grande mérito por fazerem uma operação muito melhor, afinal uma operação muito melhor depende de uma infraestrutura muito melhor”, argumenta. “Eles não fazer nada além do mínimo exigido no edital.”

Para Eduardo Padilha, os 19 bilhões de reais oferecidos pelo consórcio pelo Galeão parecem não corresponder às expectativas de aumento da demanda nos próximos 25 anos, prazo da concessão. Pelos cálculos do governo, a projeção é de que o aeroporto receba 60 milhões de passageiros por ano em 2038, mais do que o triplo dos valores de hoje.

“Eu não chegaria a tanto na oferta. Jamais”, disse. “O estudo do governo previa uma receita total de 25 bilhões em 25 anos, e eles deram 19. Ou seja, eles precisam conseguir arrecadar o dobro ou triplo do que o governo prevê”, sustenta Padilha, para quem o consórcio provavelmente tem um plano estratégico mais amplo para o aeroporto fluminense.

Ágio é "fracasso relativo"

O governo arrecadou 20 bilhões de reais com os dois leilões. Adriano Pires observa que o ágio 251% em relação aos valores iniciais não são uma vitória “extraordinária”, como definiu a presidente Dilma Rousseff. O “relativo fracasso” se deve ao fato de que 70% dos investimentos serão financiados pelo BNDES e 49% permanecem sob a responsabilidade da Infraero, ambos estatais.

“A grande vantagem de você fazer um leilão para um aeroporto como o Galeão seria você só pegar dinheiro e não botar nada, até porque as contas do governo brasileiro estão mal hoje”, afirma. “Você pegar uma jóia da coroa como o Galeão e ainda mandar o BNDES emprestar 70% do investimento a juro barato e mandar a Infraero ficar com 49% é uma visão míope. É um desperdício.”

Juntos, os dois aeroportos movimentam 14% do total de passageiros do país, 10% da carga e 12% das aeronaves do tráfego aéreo brasileiro.
 

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