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Merkel chega a acordo com social-democratas para formação de coalizão

Áudio 04:28
O chefe do Partido Social Democrata (SPD), Sigmar Gabriel, e a  chaceler Angela Merkel, do Partido Democrata-cristão (CDU).
O chefe do Partido Social Democrata (SPD), Sigmar Gabriel, e a chaceler Angela Merkel, do Partido Democrata-cristão (CDU). REUTERS/Tobias Schwarz

Após mais de dois meses de debates, as negociações para formação de uma nova coalizão de governo alemão chegaram ao fim na manhã desta quarta-feira. Os detalhes do acordo deverão ser oficialmente anunciados ao meio-dia desta quarta-feira em entrevista coletiva. A grande coalizão, entre os conservadores da chanceler Angela Merkel e social-democratas, está a um passo de ser formada. Para ser efetivada, falta ainda o sinal verde as bases do Partido Social Democrata (SPD). A aliança deverá dar sustentação ao terceiro mandato de Merkel, que deverá ser reeleita chefe de governo pelo Parlamento alemão ainda antes do Natal.

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Os democrata-cristãos da chanceler Merkel concordaram na implantação de um salário mínimo de 8,50 euros para toda a Alemanha, uma reivindicação dos social-democratas. Até agora, a Alemanha vinha tendo um sistema de acordos em alguns setores em que sindicatos e associações patronais definiam os patamares dos salários. Essas negociações vão valer ainda até 2015, quando o salário mínimo passa a vigorar para todas as profissões. Os conservadores reclamavam que esse salário mínimo nacional pode acarretar desemprego.

Também houve acordo sobre um pacote de aposentadoria, permitindo uma flexibilização da passagem à aposentadoria com 67 anos. Será criada a possibilidade de aposentadoria integral com 63 anos, após 45 anos de contribuição.

Outro ponto prevê a introdução de pedágio nas estradas alemãs para veículos estrangeiros, um item bastante controverso cujos detalhes ainda devem ser acertados. Outra reivindicação dos social-democratas aprovada, em parte, diz respeito à dupla cidadania. Ela passará a ser aceita, mas só para filhos de pais estrangeiros, crianças nascidas e educadas na Alemanha. Os outros terão que optar entre um passaporte e outro.

Consulta às bases do Partido Social Democrata

Os social-democratas pretendem ainda consultar seus mais que 470 mil afiliados, numa medida inédita e até mesmo arriscada, pois há a possibilidade que a base do partido diga não à coalizão com os conservadores.
Os social-democratas usaram essa consulta às bases não só para se mostrarem mais democráticos internamente, como também para pressionar os conservadores de Angela Merkel a ceder em mais pontos, diante do medo de uma rejeição. Esse risco existe, até porque a base do partido social-democrata continua cética com relação a uma aliança com os conservadores.

Apesar de tudo ou quase tudo estar acertado, ainda é possível que o novo governo não possa ser empossado ainda este ano. Até a convocação de uma nova eleição ainda é uma possibilidade que não foi totalmente descartada.

Formação do governo

Angela Merkel continuará a ser chanceler. O segundo na hierarquia do governo na Alemanha será Sigmar Gabriel, o presidente do partido social-democrata. Isso já estava claro já antes do inicio das conversas. O que ainda não está certo é qual ministério ele vai ocupar. Aliás, por causa dessa consulta às bases social-democratas, a coalizão só vai anunciar a composição do novo governo, depois da votação dos militantes do SPD que deve ocorrer em meados de dezembro.

Clique acima para ouvir o Linha Direta com o correspondente da RFI em Berlim, Marcio Damasceno
 

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