Imprensa

Mandela detinha "autoridade moral universal"

Criança sul-africana diante de foto de Nelson Mandela.
Criança sul-africana diante de foto de Nelson Mandela. Reuters / Mukoya

Hoje a África é o destaque da imprensa francesa. De um lado, os jornais lembram o legado da vida e da obra de Nelson Mandela. De outro, a triste realidade da República Centro-Africana onde a França realiza uma intervenção militar em um país à beira do genocídio.

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A morte de Mandela ocorreu ontem à noite quando alguns jornais já haviam sido impressos, por isso o líder sul-africano não é a manchete de todos. Mas, entre os que conseguiram, dar a notícia, Mandela, é claro, é o grande destaque.

O jornal Aujourd'hui en France traz uma das capas mais bonitas. Uma grande foto do líder africano com os dizeres "Adeus Mandela". A incrível trajetória do heroi da luta contra o apartheid é contada em 4 páginas com ênfase nos relatos de personalidades francesas que encontraram o líder. Entre elas, a primeira-dama da França, Valérie Trierweiler, que relata ter encontrado Mandela quando ela era repórter nos anos 90. Na ocasião, ela diz ter ficado impressionada com o carisma de Mandela.

Para o jornal Le Figaro, Mandela detinha uma "autoridade moral universal" e representava um "ideal de fraternidade". Os 27 anos e meio passados na prisão, lembra o diário, não abalaram a fibra do líder sul-africano.

O jornal econômico Les Echos diz que Madiba, apelido carinhoso do povo sul-africano para Mandela, consegiu instalar uma democracia multirracial e os progressos são visíveis. Ao final do apartheid, a alta classe média contava dois milhões e meio de pessoas. Hoje, esse número chega a 16 milhões. No entanto, os problemas sociais no país ainda são muito graves. 10 milhões de pessoas -quase 20% da população- não têm moradia decente.

 República Centro-Africana

O jornal Libération revela que os confrontos entre milícias que atacaram a capital Bangui deixaram 130 mortos ontem. Diante da escalada da violência, a França se comprometeu a enviar soldados em caráter de urgência para pacificar o país. A ONU deu seu aval para essa intervenção militar. Mas, em entrevista ao jornal, o chefe de estado no Níger, Mamadou Issoufou, diz que, além do exército, a República Centro-Africana também precisa de desenvolvimento econômico.

Já o jornal católico La Croix traz o ponto de vista da África do Sul. Os sul-africanos tentam se afirmar como uma liderança regional e não veem com bons olhos a interferência estrangeira. A África do Sul defende "soluções africanas para os problemas africanos".
 

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