Cinema/Ninfomaníaca

Ninfomaníaca, de Lars von Trier, tem conteúdo vetado na França

Atriz francesa Charlotte Gainsbourg interpreta a personagem Joe em sua fase adulta em Ninfomaníaca.
Atriz francesa Charlotte Gainsbourg interpreta a personagem Joe em sua fase adulta em Ninfomaníaca. Divulgação

A imprensa francesa assistiu nesta quinta-feira, dia 12 de dezembro, à primeira projeção do volume 1 de Ninfomaníaca, o novo longa do diretor dinamarquês Lars von Trier, em Paris. Sob embargo, o conteúdo da obra poderá ser divulgado somente a partir da próxima semana – o que faz parte de uma intensa estratégia de marketing que teve início em maio deste ano.

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Depois do atraso de vários meses, Ninfomaníaca Volume 1, ensaia seus primeiros passos na Europa. Na semana passada, o longa estreou para a imprensa na terra de seu diretor, o dinamarquês Lars von Trier. O cineasta, que se nega a falar com jornalistas desde o Festival de Cannes de 2011, onde se declarou nazista e disse “compreender Hitler”, vetou toda a mídia de seu país a falar sobre o conteúdo de sua obra até o dia 17 de dezembro.

Na projeção especial para os jornalistas franceses, nesta quinta-feira, em Paris, as mesmas medidas foram adotadas. Nada de câmeras ou microfones, ninguém está autorizado a falar sobre o tão esperado – e talvez mais chocante – longa do dinamarquês até a próxima semana. Como em todas as sessões de Ninfomaníaca até o momento (mesmo na projeção que von Trier realizou para amigos íntimos), todos os espectadores são obrigados a assinar um documento, comprometendo-se a não divulgar detalhes, fazer críticas ou emitir opiniões públicas sobre o filme.

O que se pode falar sobre Ninfomaníaca até o momento se resume à sua sinopse. Em dois volumes, o longa conta a história do percurso erótico de Joe, uma mulher que se diz ninfomaníaca, interpretada na juventude pela britânica Stacy Martin, e na vida adulta pela francesa Charlotte Gainsbourg. Ela é descoberta desmaiada em um beco por Seligman, personagem interpretado pelo ator sueco Stellan Skarsgard. Ele socorre Joe e a leva para sua casa, onde a misteriosa mulher revela sua vida.

Polêmicas

A realização do filme engloba um rol de polêmicas. A projeção, aliás, deixa isso bem claro: as duas partes do longa começam com uma irônica advertência que levou os jornalistas franceses às gargalhadas hoje, já habituados com o controverso comportamento do dinamarquês. “Esta versão censurada de Ninfomaníaca não é de autoria de Lars von Trier, mas conta com sua autorização”.

De fato, após 11 semanas de filmagem, um roteiro de quase 300 páginas e mais de 100 horas de material bruto, a intenção inicial do diretor era de apresentar um único filme de 5 horas e meia. O material, no entanto, não ficou pronto para o festival de Cannes deste ano, e a estreia foi prorrogada para os meses seguintes.

De acordo com os boatos, a intenção de von Trier, ao realizar uma obra mais longa, era utilizar um grande número de cenas de sexo explícito. Mas, por uma questão de distribuição, o material teve que ser dividido em dois volumes, e algumas das partes mais chocantes foram cortadas.

Em imagem de divulgação do filme, atores principais aparecem em cena de sexo coletivo.
Em imagem de divulgação do filme, atores principais aparecem em cena de sexo coletivo. Divulgação

Boatos que a produtora da Zentropa, Louise Vesth, responsável pela produção de Ninfomaníaca, fez questão de negar. Ao site Screen Daily, ela contou, em entrevista exclusiva concedida em fevereiro, que as exigências de von Trier obedecem a seus critérios artísticos, mas que ele entende as necessidades de distribuição.

De acordo com Vesth, se só houvesse uma versão do longa, os distribuidores certamente a censurariam devido às restrições sobre conteúdo pornográfico em vários países. "É uma maneira de fazer com que o público em geral possa ver o filme. As duas versões são adequadas para o público, mas é claro que quando você faz algo muito explícito você reduz as possibilidades de distribuição", explicou.

Em documento entregue hoje, antes do início da sessão para a imprensa em Paris, Vesth explica que o corte final das versões censuradas de Ninfomaníaca - apelidada de “softporn” pelos jornalistas - não é de autoria de von Trier, mas tem seu acordo. A versão chamada de “hardcore”, de 5 horas e meia, está sendo finalizada pelo diretor e será distribuída nos países onde a censura o autorizará, em data ainda indefinida, no próximo ano. O objetivo, segundo ela, é “garantir a maior liberdade artística possível a Lars von Trier”.

Estratégia de marketing

Há quem diga que toda a polêmica em torno de Ninfomaníaca faz parte de uma estratégia de marketing que já dura meses. Em maio, a imprensa recebeu o nome dos oito capítulos do longa, material que vinha acompanhado com uma foto de von Trier com uma fita na boca. “O filme fala por si só”, dizia a legenda da imagem.

Na divulgação dos capítulos de Ninfomaníaca, o diretor Lars von Trier aparece com um fita adesiva na boca.
Na divulgação dos capítulos de Ninfomaníaca, o diretor Lars von Trier aparece com um fita adesiva na boca. Divulgação

Desde então, fotos e vídeos (teasers e trailers) foram divulgados quase todos os meses. Em outubro, foi a vez de uma série de 14 pôsteres com os principais personagens dos dois volumes simulando orgasmo. O YouTube chegou a retirar do ar o teaser sobre o Capítulo 1 do primeiro volume que contém cenas de sexo explícito. Em uma outra imagem polêmica, os atores principais aparecem fazendo sexo coletivo, sob a câmera fotográfica de von Trier.

Estreias

O volume 1 de Ninfomaníaca estreia no dia do Natal na Dinamarca. Já os franceses esperam até o dia 1° de janeiro de 2014 pela primeira parte; a segunda parte está prevista para estrear no dia 24 de janeiro. No Brasil, o volume 1 chega aos cinemas no dia 10 de janeiro, e o volume 2 ainda não tem data prevista para estreia no país.
 

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