Le Figaro diz que Hollande e Dilma devem ter se consolado mutuamente

François Hollande e Dilma Roussef, 12 de dezembro de 2013 em Brasília.
François Hollande e Dilma Roussef, 12 de dezembro de 2013 em Brasília. REUTERS/Ueslei Marcelino

O jornal Le Figaro publica nesta sexta-feira uma reportagem sobre a visita de Estado do líder francês ao Brasil e comenta que François Hollande e a presidente Dilma Rousseff devem ter se consolado mutuamente no encontro que tiveram ontem em Brasília, diante da queda de popularidade de ambos nas pesquisas de opinião.

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O jornal observa que na última vez em que se encontraram, em dezembro do ano passado, em Paris, tanto Hollande quanto Dilma estavam em melhor situação nas sondagens.

Hollande enfrenta na França o descontentamento da opinião pública com sua política tributária, que impôs uma alta sem precedentes de impostos, explica o Le Figaro, enquanto a presidente Dilma enfrenta manifestações pelos investimentos astronômicos na Copa do Mundo em detrimento de melhorias em educação e saúde.

O Le Figaro afirma que Hollande e Dilma decidiram reforçar a aliança estratégica entre os dois países, "mesmo se a presidente brasileira criticou a intevenção militar francesa no Mali, evocando velhas tentações coloniais".

O presidente francês é acompanhado por uma delegação de 50 empresários, mas todos os contratos assinados durante a visita são antigos, não havendo nada de novo. Hollande recebeu pelo menos uma boa notícia em Brasília: o governo brasileiro levantou o embargo comercial ao queijo roquefort, que vigorava desde 2010.

Fã de futebol, Hollande não parou de falar "com apetite" do Mundial de 2014. Dilma jurou em Brasília que o Brasil será campeão, enquanto Hollande se recusou a fazer qualquer prognóstico, conclui o artigo do Le Figaro.

Hollande: capitão da seleção francesa

O presidente francês espera que a seleção da França faça uma boa campanha na Copa do Mundo para melhorar o moral dos franceses e, por consequência, sua popularidade. Foi dessa forma que o jornal Aujourd'hui en France descreveu o primeiro dia da visita de Hollande ao Brasil.

O jornal também sublinha a mudança de estratégia do atual governo em relação aos caças Rafale. Enquanto o ex-presidente Nicolas Sarkozy chegou a dizer que o Brasil tinha escolhido os caças franceses, o que não se confirmou, Hollande trata esse assunto no maior sigilo com as autoridades brasileiras, para não perturbar as negociações.

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