Fato em Foco

Estilista Thierry Mugler cria espetáculo de cabaré em Paris

Áudio 05:29
A revista "Mugler Follies" aposta na originalidade para rivalizar com os outros espetáculos de cabaré em cartaz em Paris.
A revista "Mugler Follies" aposta na originalidade para rivalizar com os outros espetáculos de cabaré em cartaz em Paris. Divulgação

Mais conhecido internacionalmente por suas coleções de moda e seus perfumes, o francês Manfred Thierry Mugler tem uma nova ambição: renovar a tradição parisiense das revistas de cabaré. Fotógrafo, designer, diretor de teatro e cinema e criador de figurinos tanto para peças de Shakespeare quanto para tournées da popstar Beyoncé, ele investiu todos esses talentos no espetáculo "Mugler Follies", atualmente em cartaz no teatro La Comédia, no bairro popular de Strasbourg-Saint-Denis.

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O espetáculo conta a história de uma dançarina de cabaré que sonha em se tornar equilibrista. "Há um fio condutor, mas cada cena tem sua própria atmosfera. Não seguimos uma única direção ao longo do espetáculo, mas viajamos de um universo a outro, com muito humor, às vezes paródia, e com muita sensualidade, mais do que erotismo", disse à RFI a coreógrafa do show, Marjorie Ascione.

À primeira vista, "Mugler Follies" tem todos os ingredientes típicos do teatro de revista: entre os 25 artistas em cena estão belas dançarinas - as muglerettes -, acrobatas, cantores, ventríloquos, mágicos e transformistas.

Alice Dufour, que já participou de revistas do Crazy Horse, explica qual é a principal diferença em relação a outros espetáculos do gênero: "Manfred Thierry Mugler faz uma homenagem à beleza humana em geral. E como todo mundo sabe, o Crazy Horse tem critérios físicos muito exigentes. Enquanto aqui é o exato contrário. Temos todos perfis muito diferentes."

Na prática, isso significa que os espectadores podem ver no palco desde dançarinas filiformes que não destoariam nos desfiles de moda até artistas que poderiam posar para um quadro de Botero.

Tecnologia

Manfred Thierry Mugler foi o primeiro a transformar seus desfiles em verdadeiros espetáculos nos anos 80. Ao criar sua própria revista de cabaré, um sonho antigo, ele abriu mão das plumas, do cancan e dos seios nus que são praxe nesse tipo de show. A produção não economiza strass e paetês, mas também apela para as últimas novidades em matéria de entretenimento, como a tecnologia 3D.

São muitas as referências ao mundo da moda e ao imaginário parisiense, e as canções, escritas em grande parte pelo próprio Mugler, são interpretadas em várias línguas, inclusive o português.

E, como não poderia deixar de ser, os figurinos são uma atração à parte. A obsessão do estilista por insetos se traduziu em uma fantasia de formiga para um dos números musicais. "Vestir esse figurino é um calvário! Ele é feito de plástico e é muito justo. Mas o pior é a máscara, que reduz muito nosso campo de visão. Tivemos que reinventar nossa maneira de dançar!", conta Alice Dufour.

Além da Mugler Follies no teatro La Comédia, outras revistas estão em cartaz em Paris neste final de ano. O Lido apresenta "Bonheur". Só as estatísticas já dão vertigem: 600 figurinos, 150 mil paetês, 500 pares de sapatos feitos sob medida...

Já o Moulin Rouge se gaba de reunir dançarinas recrutadas no mundo inteiro entre os 80 artistas que participam do espetáculo "Féerie". E o Crazy Horse contratou nomes de prestígio como o designer de sapatos Christian Louboutin e o compositor francês Philippe Katherine para a revista "Désirs".

 

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