França

François Hollande ainda não conseguiu se impor como líder, diz especialista

Áudio 08:27
O presidente francês François Hollande, no Palácio do Eliseu, em imagem do dia 16 de dezembro de 2013.
O presidente francês François Hollande, no Palácio do Eliseu, em imagem do dia 16 de dezembro de 2013. Reuters/Philippe Wojazer

2013 foi um ano desafiador para o presidente francês François Hollande. Face a uma crise econômica que não deu trégua, os altos índices de desemprego, o escândalo de ter seu ministro do planejamento acusado de evasão e fraude fiscal, e uma impopularidade recorde enfrentada por um chefe de Estado francês, o líder socialista não teve um ano fácil. A herança de uma série de questões mal resolvidas pelo governo do antigo presidente Nicolas Sarkozy, a cobrança dos partidos e do eleitorado de direita, aliados a uma mídia que transformou os escorregões do presidente em espetáculo nacional também dificultaram seu governo.

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Para o pesquisador e professor da Sciences Po de Bordeaux, Pierre Sadran, François Hollande não conseguiu se adaptar à imagem que os franceses têm de um presidente. “Ele nos passa uma sensação de imobilidade, de ausência de determinação. Eu não acho que isso seja a verdade; acredito que ele tenha objetivos e saiba como alcançá-los, mas ele não sabe encarnar essa noção da liderança democrática”, analisa.

Essa é a mesma opinião do mestrando em Ciência Política da Universidade Paris 3, o franco-português Romain Rodrigues. Ele votou em Hollande no segundo turno das presidenciais, mas pensa que seu governo deixou a desejar. “Tanto o eleitorado de esquerda como o de direita está insatisfeito. A gente não sabe bem o que ele quer fazer, por onde ele quer ir”, diz.

A psicóloga franco-brasileira Nastasia Alves também votou em Hollande em 2012, mas ela se sente satisfeita com a performance do chefe de Estado eleito. “François Hollande é um presidente muito honesto – uma característica que podemos sentir em seus discursos. Ele foi muito criticado por sua personalidade, por sua falta de liderança, mas não podemos nos limitar somente a este aspecto. Ele fez muito pelo país”, reflete.

Conquistas

2013 não foi um ano só de falhas da administração socialista. Para Pierre Sadran, as principais conquistas de Hollande neste ano foram a aprovação da reforma da aposentadoria, a adoção da lei que proíbe os políticos franceses de acumularem de mandatos, além do sucesso da intervenção militar da França no Mali.

Já na economia, Sadran acredita as decisões de François Hollande não foram tão falhas, já que o crescimento econômico recomeça, "ainda que discretamente". Além disso, a tão prometida inversão da curva do desemprego começa a aparecer. “Acredito que em 2014 reconheceremos que há pontos positivos no governo socialista - nada espetacular, mas avanços discretos”, acredita.
 

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