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Retomada do setor automobilístico americano marca Salão de Detroit

Áudio 04:53
O salão do automóvel de Detroit é a ocasião para as montadoras mostrarem seus lançamentos, como o Mercedes-Benz 2015 C-Class, apresentado na véspera da abertura oficial pelo presidente da Daimler, Dieter Zetsche.
O salão do automóvel de Detroit é a ocasião para as montadoras mostrarem seus lançamentos, como o Mercedes-Benz 2015 C-Class, apresentado na véspera da abertura oficial pelo presidente da Daimler, Dieter Zetsche. REUTERS/Joshua Lott
Por: Silvano Mendes

Começa oficialmente nessa segunda-feira (13) a edição 2014 do North American International Auto Show (NAIAS), o Salão do Automóvel de Detroit. O evento, um dos mais importantes do gênero no mundo, reúne as 35 principais montadoras do setor, que apresentam as tendências do momento. Cerca de 50 novos veículos, entre eles vários protótipos, são expostos para o público na manifestação, que coincide com a retomada da progressão das vendas nos Estados Unidos. 

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O Salão do Automóvel de Detroit abre suas portas em uma fase de otimismo, com a retomada da progressão da indústria automobilística em vários grandes mercados, inclusive o norte-americano, o segundo mais importante do mundo após a China. Mais de 15 milhões de veículos foram vendidos nos Estados Unidos em 2013, o que representa uma alta de 7,6% com relação ao ano anterior. Depois de uma fase difícil, que teve seu ponto crítico em 2009, quando menos de 10 milhões de carros foram comercializados, os responsáveis do setor no país apostam em 17 milhões de unidades vendidas em 2014, ultrapassando assim os volumes registrados antes da crise.

Um cenário similar é constatado no Brasil, quarto mercado mundial do setor, onde a produção progrediu 9,9% no ano passado, atingindo 3,74 milhões de veículos, de acordo com os números da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). As vendas registraram um baixa de 0,9% (3,77 milhões de unidades), mas as exportações do país aumentaram 26,5% em 2013.

Para Marcelo Monegato, editor do caderno de automóveis do jornal Diário de Grande ABC, região brasileira conhecida por sua tradição no setor, a crise do mercado automobilístico não foi intensa no Brasil. “O país foi até um porto seguro para muitas montadoras que registravam queda na Europa e nos Estados Unidos e que aproveitaram a atividade brasileira em crescimento”. Já no que diz respeito aos consumidores norte-americanos, ele lembra que o fato de a Fiat ter comprado a Chrysler é uma prova de que o interesse no mercado do país ainda é grande. 

Novidades

O salão de Detroit é principalmente uma ocasião para as montadoras apresentarem suas novidades. Entre os destaques desta edição estão os protótipos do modelo 4x4 GLA-Class da Mercedes Benz e do carro esporte GT4 Stinger da Kia. Já em termos de tendências, o mercado continua “observando um contraste entre os carros com motores potentes e os veículos que consomem pouco”, como comenta o presidente do salão, Bob Shuman.

Os modelos chamados “verdes”, sejam eles elétricos ou híbridos, também têm espaço nesse tipo de evento, já que conquistam aos poucos o mercado. “Nos Estados Unidos as vendas de automóveis elétricos representaram no ano passado cerca de 3,8% do total do setor”, ressalta Pietro Erber, presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico. O que pode parecer pouco, lembra o especialista, “mas quando pensamos que trata-se de uma tecnologia que começou a ser vendida em massa há menos de 15 anos, esse número já é expressivo”. Na categoria, o Lexus RC2014, que já foi apresentado em Tóquio, deve ser demonstrado novamente em Detroit.

Salão em uma cidade falida

A realização dessa edição do Salão chegou a ser questionada por causa da situação financeira da cidade, que declarou falência em julho de 2013 após acumular mais de 18 bilhões de dólares (42 bilhões de reais) em dívidas. No entanto, como o Cobo Center – local que sedia o evento – não é administrado pela prefeitura de Detroit desde 2009, o encontro, que acontece desde 1965, pôde ser concretizado.

O NAIAS, aliás, é visto como um oportunidade de entrada de capital na cidade. Com mais de 850 mil visitantes esperados, “o evento gera 365 milhões de dólares (mais 900 milhões de reais)” para Detroit, como lembra Shuman. “É o equivalente ao impacto de um Super Bowl”, diz, em alusão à final do campeonato de futebol americano, acontecimento esportivo de maior sucesso de público no país.

O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e a secretária norte-americana do Comércio, Penny Pritzker, devem visitar o NAIAS na quarta-feira. O Salão vai até o dia 26 de janeiro.
 

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