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Linha Direta

Estadista firme e carismático, papa Francisco promove um ano de mudanças

Áudio 04:33
Há um ano, o cardeal argentino Jorge Bergoglio assumia a liderança da Igreja Católica
Há um ano, o cardeal argentino Jorge Bergoglio assumia a liderança da Igreja Católica REUTERS/Tony Gentile

Em 13 de março de 2013, quando o então cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio foi eleito papa, a Igreja era "um barco que navegava numa tempestade" e corria o risco de naufragar, analisa a correspondente da Rádio França Internacional em Roma Gina Marques. Bento XVI sufocava sob acusações de corrupção e suspeitas de acobertamento de casos de pedofilia. Então, Francisco assumiu seu pontificado sob a égide da mudança. Um ano depois, pode-se dizer que foi exatamente isso que aconteceu.

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Gina Marques, correspondente da RFI em Roma

"Depois de quase 500 anos de historia, um papa decidiu viver fora do palácio apostólico ornamentado com obras de arte e morar num simples quarto na hospedaria de Santa Marta", conta Gina ao programa Linha Direta. "Em cada gesto dele, existe uma mensagem. Ele quer estar ao lado das pessoas, estimulando o senso de comunidade. Ele esta' aplicando a mesma mudança na Igreja. Para ele, os sacerdotes, bispos, cardeais e o próprio papa, não estão acima dos fieis, como intermediários entre o céu e a terra, e sim ao lado das pessoas".

Revolução da ternura

Isso apareceu em várias ocasiões, lembra Gina. "Ele tem carisma, fala abertamente, usa termos simples e muitas vezes irônicos, responde cartas, telefona de surpresa para fiéis, dá entrevistas, caminha entre as pessoas, prefere um carro sem luxo, usa crucifixo de prata". Além disso, o papa Francisco parece não ter problemas em falar de temas espinhosos. Disse que não pode julgar os homossexuais e lançou uma pesquisa para os bispos do mundo inteiro com 38 perguntas sobre assuntos como a convivência de casais fora do matrimônio, a união homossexual e divorcio.

Essa mudança de postura no jeito de conduzir o papado teve efeitos econômicos importantes, observa a correspondente. "Houve um aumento de mais de 20 por cento do turismo aqui em Roma. Para você ter uma ideia, segundo o Vaticano, nas primeiras 30 audiências coletivas do papa Francisco foram distribuídos mais de um milhão e meio de bilhetes. O chamado efeito Francisco, ou revolução da ternura, se deve ao modo dele de comunicar".

Estadista de pulso firme

Mas, por trás da administração "paz e amor", o papa se mostrou um chefe de Estado de pulso firme. Ele promoveu uma reforma no Banco do Vaticano, o Instituto para Obras de Religião (IOR) que esteve sob suspeita de corrupção e envolvimento com a máfia. "Desde o inicio deste pontificado, mais de 900 contas correntes foram fechadas", diz Gina. "Entre estas, de embaixadas de quatro países como a Síria, Indonésia, Irã e Iraque. Eles eram suspeitos de lavagem de dinheiro".

Francisco ainda instituiu uma nova comissão de investigação sobre o IOR para evitar desperdício e garantir a transparência, além de mudarquase todos os membros da comissão de vigilância para o Instituto para Obras Religiosas, composta por cinco cardeais, substituindo quatro cardeais que haviam sido nomeados por Bento XVI. Entre eles, o arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer.

Uma postura que não agrada a todos dentro do Vaticano. "Recentemente, o presidente deste banco do Vaticano, Ernst von Freyberg, declarou numa entrevista que não sabe qual será o futuro do IOR. A proposito de reformas econômicas, o papa Francisco instituiu uma secretaria da economia, uma especie de ministério de planejamento econômico da Curia, uma novidade no Vaticano", analisa Gina.
 

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