Linha Direta

Surto de ebola em países africanos preocupa OMS

Áudio 04:36
Pessoa doente recebendo tratamento para ebola em 28 de março de 2014.
Pessoa doente recebendo tratamento para ebola em 28 de março de 2014. Reuters

O surto de ebola que atinge a Guiné, na costa oeste africana, preocupa a população da região e a comunidade internacional. Até o momento, foram registradas mais de 60 mortes por febre hemorrágica, que podem ter sido causadas pelo vírus. Das doze amostras analisadas por um laboratório em Lyon, na França.  

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Por Rafael Araújo, correspondente da RFI Brasil na Costa do Marfim

A febre hemorrágica causada pelo vírus ebola tem uma taxa mortalidade que pode chegar a 90% dos casos e matar uma pessoa em menos de 48 horas. Ainda não há cura ou vacina contra a doença.

Os sintomas são febre, dor de cabeça, fraqueza muscular e, na fase mais aguda, vômitos, diarreia e hemorragias. Inicialmente o vírus é transmitido ao homem pela manipulação de animais selvagens, como morcegos, primatas e roedores. Depois, o contágio ocorre pelo contato com fluídos corporais de uma pessoa infectada, mesmo depois do óbito.

Evitar a epidemia

Assim que o vírus foi identificado na Guiné, a Organização Mundial de Saúde (OMS), a UNICEF, a Cruz Vermelha Internacional e a ONG Médicos Sem Fronteiras desembarcaram no país para tentar conter uma possível epidemia. Esta é a primeira vez que o vírus ebola é detectado na África do oeste. O surto foi identificado em três localidades do sudeste do país, na chamada região florestal, uma zona de fronteira com a Libéria e a Serra Leoa que fica a 850 quilômetros da capital.

Em plena cúpula que reúne os chefes de estado da região– chamada de CEDEAO, o secretário-geral demonstrou preocupação com o surto e disse que uma eventual epidemia representa uma ameaça para a região.

De acordo com um comunicado da OMS, o surto foi controlado na Guiné. Nem Senegal nem a Costa do Marfim fecharam as fronteiras. O ministério da Saúde marfinense anunciou a criação de um posto de controle no extremo oeste do país para reforçar as medidas contra a propagação do vírus. O ministério das Relações Exteriores francês publicou um boletim de última hora em que desaconselha viagens à região.

Precauções

Para evitar o contágio, aconselha-se redobrar os cuidados com a higiene e o contato com as pessoas. Desinfetar as mãos regularmente, evitar aglomerações e fazer refeições em casa pode ajudar na prevenção. Algumas pessoas preferem consumir produtos importados, peixe e frango, em vez de carne vermelha.

A vida em Yamoussoukro, capital da Costa do Marfim, segue normalmente. Quase nada mudou no cotidiano das pessoas, que vão ao trabalho, à escola, às compras. No entanto, passaram a tomar alguns cuidados como tentar evitar o transporte coletivo para pequenas distâncias. As frutas e legumes da região afetada também estão de quarentena na capital. O governo e imprensa local recomendam não consumir carne de animais selvagens. Mas é difícil mudar os hábitos da população, acostumada a comer carne de caça como roedores, macacos e morcegos.

Em Conacri, capital da Guiné, o problema se repete. Na televisão, no rádio e no jornal estão falando para evitar a carne de caça, mas nos maquis – restaurante típico africano – continuam servindo cutia, tatu e porco-espinho no cardápio.

A comunidade brasileira na Guiné não é grande, cerca de setenta brasileiros moram lá, a maioria na capital Conacri.

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