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França/Imprensa

Governo acusado do genocídio em Ruanda foi formado dentro da embaixada francesa, diz ex-ministro

Celebração nesta segunda-feira (7) dos 20 anos do início do genocídio em Ruanda
Celebração nesta segunda-feira (7) dos 20 anos do início do genocídio em Ruanda REUTERS/Noor Khamis
3 min

A celebração nesta segunda-feira (7) dos 20 anos do início do genocídio em Ruanda, uma tragédia que deixou quase 1 milhão de mortos em apenas três meses, em 1994, recebe destaque na imprensa. Em entrevista ao jornal Libération, o presidente ruandês, Paul Kagame, acusa a França de ter participado "da preparação política do genocídio".

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O presidente de Ruanda afirma que a França participou "antes, durante e depois do genocídio", que massacrou principalmente a população da etnia tutsi. Kagame diz que tanto a Bélgica, que herdou Ruanda como território colonial após a Primeira Guerra Mundial, como a França contribuíram para a "emergência de uma ideologia genocidária em Ruanda".

Paul Kagame lembra que só a intervenção da Frente Patriótica Ruandesa (FPR), fundada por ele, conseguiu pôr um fim ao massacre. O líder africano define as relações com a França como marcadas por altos e baixos, nos últimos 20 anos, e considera que o governo francês fez muito pouco até agora para assumir suas responsabilidades no genocídio.

França forneceu armas

No texto que abre a entrevista, o Libération apresenta a versão do ex-ministro francês de Relações Exteriores Bernard Kouchner, que foi chanceler de Nicolas Sarkozy. Kouchner afirma que o governo Sarkozy "abriu o caminho de reconciliação" com Ruanda, mas o atual governo de François Hollande "recua", segundo ele.

Kouchner estima que os socialistas exageraram na reação ao cancelar a ida da ministra da Justiça, Christine Taubira, a Kigali, depois de terem tomado conhecimento das acusações do presidente ruandês. Para o ex-ministro, esse tipo de reação "alimenta o negacionismo".

O ex-ministro considera inadequado falar em "participação" da França no genocídio, como fez o presidente ruandês, mas afirma que "o regime extremista hutu se formou dentro da embaixada da França em Kigali, em abril de 1994". Kouchner também afirma que Paris "forneceu armas aos hutus até agosto" daquele ano, portanto, durante e depois dos massacres.

"Amigo de Kagame"

O diário conservador Le Figaro lembra que Kouchner "é amigo de Kagame". O jornal considera as acusações "pesadas e sujas demais" para ficar sem resposta. Ouvido pelo Le Figaro, Alain Juppé, que era o chanceler francês na época do genocídio, nega as acusações de Kagame e pede ao presidente François Hollande que defenda "a honra" do país.

Dever de memória

La Croix diz que a França precisa enfrentar esta página sombria de sua história. O jornal católico estima que os franceses fizeram "um certo esforço de memória", mas "o processo continua incompleto". De acordo com o jornal, a justiça francesa deve fazer este trabalho.

Até hoje, só um responsável pelo genocídio foi condenado na França. La Croix  também defende a abertura dos arquivos da época, até hoje classificados como sigilosos e de "segurança nacional", para que historiadores estabeleçam a verdadeira sequência dos fatos.
 

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