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Eleições Europeias 2014

Apesar de prevista, vitória da extrema-direita francesa nas eleições provoca indignação

Marine le Pen, líder da Frente Nacional, durante coletiva onde comemorou a vitória de seu partido de extrema-direita nas urnas.
Marine le Pen, líder da Frente Nacional, durante coletiva onde comemorou a vitória de seu partido de extrema-direita nas urnas. REUTERS/Christian Hartmann
Texto por: RFI
3 min

Terremoto político e “Big Bang”. Essas foram algumas das manchetes da imprensa francesa para anunciar a vitória da Frente Nacional nas eleições europeias deste domingo (25). Os jornais constatam que a vitória da extrema-direita e seu discurso antieuropeu têm consequências catastróficas para a direita tradicional e para os socialistas franceses, que estão no poder.

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A líder da Frente Nacional, Marine Le Pen, aparece sorridente em todas as manchetes e é apontada como a grande vitoriosa desse pleito, marcado por uma forte abstenção.

O jornal Le Figaro resumiu o sentido da vitória histórica da Frente Nacional nas urnas com uma única palavra: terremoto. Pela primeira vez em uma eleição, o partido de extrema-direita ficou à frente de todos os seus adversários ao somar mais de 25% dos votos.

Ao chegar na segunda posição, o partido UMP, da direita tradicional, entra em uma zona de turbulências, enquanto o Partido Socialista, em terceiro lugar, sofre uma nova derrota, escreve Le Figaro, lembrando o fracasso do governo nas eleições municipais de março.

Tudo foi previsto e anunciado: abstenção forte, crescimento da Frente Nacional, derrota dos socialistas e humilhação da UMP. Mas, quando os resultados são divulgados, é um verdadeiro choque, afirma Le Figaro em seu editorial.

Resultado sem surpresas

A vitória foi anunciada e nem por isso deixa de ser um choque que vai sacudir a França e a Europa, afirma Libération. Ainda que as eleições europeias nunca tenham estruturado a política interna do país, o sucesso da Frente Nacional demonstra claramente a capacidade de mobilização de seus eleitores, o enraizamento de seus ideias e a instalação duradoura de suas teses xenófobas, de acordo com o jornal progressista.

Libération alerta ainda que o resultado das urnas representa um risco de implosão para a direita tradicional e uma situação catastrófica para os socialistas, que não conseguem mais responder às expectativas de seu eleitorado.

Além disso, essa onda de choque da Frente Nacional ultrapassa as fronteiras da França e atinge também outros países europeus, como Reino Unido, Dinamarca e Áustria, onde partidos nacionalistas também cresceram e representam hoje uma ameaça real à integração da Europa.

Impacto das urnas

Ao vencer pela primeira vez uma eleição, no caso a europeia, a Frente Nacional traz mudanças profundas na vida política francesa, afirma Aujourd'hui en France. Os 25% dos votos representam um verdadeiro “Big Bang”, sugere o jornal, em referência à tese de que o mundo surgiu de uma explosão.

É a segunda vez em menos de dois meses que o partido de Marine Le Pen cria uma verdadeira sensação ao se impor à frente de uma direita tradicional dividida e dos socialistas completamente perdidos, constata o jornal.

O voto também é uma sanção contra a União Europeia, julgada muito complexa, tecnocrata e distante dos cidadãos, avalia Aujourd'hui en France.

Rejeição da integração europeia

"A rejeição dos franceses", enfatiza o diário econômico Les Echos em sua manchete. Enquanto a Frente Nacional comemora sua primeira vitória em uma eleição, o Partido Socialista se desmancha, escreve o jornal.

Nas contas de Les Echos, o maior partido antieuropeu da França terá entre 23 e 25 deputados, o que poderá levar sua líder, Marine Le Pen, a comandar uma bancada de eurodeputados da extrema-direita.

A votação nos outros países do bloco também foi marcada por um voto de protesto contra a integração europeia, constata o diário econômico.

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